Uma pesquisa internacional publicada na revista Nature Communications identificou cinco novos genes associados à obesidade, ampliando o entendimento sobre os fatores biológicos envolvidos no desenvolvimento da doença. Conduzido por cientistas da Pennsylvania State University, o estudo analisou dados genéticos de mais de 839 mil pessoas e identificou variantes que influenciam regiões do cérebro e do tecido adiposo, áreas diretamente ligadas ao controle do apetite, do metabolismo e do armazenamento de gordura.
Para Theda Manetta da Cunha Suter, professora do curso de Educação Física da Wyden, a descoberta reforça a necessidade de integrar ciência, comportamento e estilo de vida nas estratégias de enfrentamento da obesidade. “Esses novos genes ajudam a explicar por que algumas pessoas encontram mais dificuldade para perder peso mesmo adotando hábitos saudáveis. Ainda assim, o exercício físico regular e um estilo de vida equilibrado continuam sendo a ferramenta mais eficaz para equilibrar o metabolismo e mitigar os efeitos da predisposição genética”, afirma.
Theda destaca que os benefícios do exercício físico vão além do controle de peso. “Corpo e mente funcionam de maneira integrada. O movimento melhora funções cognitivas, reduz o estresse e contribui para o bem-estar emocional, fatores que têm impacto direto na manutenção de hábitos saudáveis”, completa.
Marina Pitta, nutróloga e docente do IDOMED (Instituto de Educação Médica), reforça que os novos achados confirmam o caráter multifatorial da obesidade. “Essas variantes genéticas interferem na forma como o organismo metaboliza nutrientes, armazena gordura e responde a estímulos hormonais. Isso reforça que o tratamento precisa ser individualizado, levando em conta genética, comportamento, rotina e contexto social do paciente”, explica.
Segundo Marina, o avanço científico abre espaço para novas abordagens clínicas. “Estamos caminhando para uma nutrologia mais personalizada, em que exames genéticos podem ajudar a orientar dietas, medicamentos e estratégias de controle de peso mais eficazes. Mesmo assim, a base do tratamento continua sendo alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento médico regular”, afirma.
Pesquisas de instituições internacionais e nacionais de saúde pública divulgadas em 2023 e 2024 indicam que, no Brasil, cerca de 20% dos adultos vivem com obesidade, enquanto apenas cerca de 26% da população adulta pratica atividade física na frequência recomendada, e estes são fatores associados ao aumento do risco metabólico.
Para os especialistas, o cenário reforça a urgência de políticas públicas e ações educacionais que integrem saúde, atividade física, nutrição e saúde mental. “Combater a obesidade vai muito além da balança. É um desafio que envolve genética, emoções, oportunidades de acesso e qualidade de vida”, conclui Theda Suter.