Câncer de pele na cabeça e pescoço — quando a exposição solar compromete identidade, funções vitais e qualidade de vida

por: André Vita

Durante o verão a atenção aos riscos do câncer de pele costuma se concentrar nos braços, pernas e tronco, mas a cabeça e o pescoço concentram muitos dos diagnósticos mais complexos. O câncer de pele é o tipo de câncer mais comum no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde, ele representa 30% de todos os tumores malignos registrados no país, com taxa de cura superior a 90% quando identificado precocemente.

Áreas mais expostas e riscos

Orelhas, nariz, lábios, couro cabeludo, pálpebras e face são áreas frequentemente expostas ao sol e, paradoxalmente, muitas vezes menos protegidas. Quando o câncer de pele aparece nessas regiões, o tratamento vai além da remoção do tumor: exige reconstrução e cuidado com funções essenciais.

  • Áreas com maior exposição ao sol: orelhas, nariz, lábios, couro cabeludo, pálpebras e face.
  • Impactos diretos na aparência, autoestima e nas funções como fala, mastigação, respiração, audição e visão.

Desafios do tratamento e reconstrução

“O câncer de pele na região da cabeça e pescoço não é apenas uma doença dermatológica. Em muitos casos, ele exige cirurgias delicadas, que precisam equilibrar a retirada completa do tumor com a preservação da função e da estética do rosto”, explica o Dr. Cleydson Lucena, cirurgião de cabeça e pescoço. A reconstrução pode envolver enxertos, retalhos e atuação multidisciplinar para restabelecer forma e função.

Diagnóstico tardio e sinais de alerta

O diagnóstico tardio é um dos principais agravantes. Lesões pequenas e assintomáticas são frequentemente ignoradas por meses ou anos. É fundamental observar mudanças na pele e procurar avaliação médica ao identificar alterações.

  • Assimetria entre as metades da lesão.
  • Bordas irregulares.
  • Diferentes cores na mesma lesão.
  • Lesões maiores que 6 mm ou que crescem com o tempo.
  • Sangramento, ulceração ou mudança de aparência.

Risco no verão e prevenção

No verão o risco aumenta pelo maior tempo de exposição solar e uso insuficiente de protetor em áreas como orelhas, pescoço e couro cabeludo. Além da exposição ao sol, câmaras de bronzeamento e a idade são fatores de risco relevantes.

  • Use protetor solar de amplo espectro e reaplique, cobrindo orelhas, nuca e couro cabeludo quando possível.
  • Considere chapéus de aba larga e proteção física para áreas expostas.
  • Evite câmaras de bronzeamento.
  • Homens com calvície devem proteger o topo da cabeça com filtro solar ou cobertura física.

Para orientações sobre fotoproteção consulte a Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Prognóstico e recomendação

A boa notícia é que, quando detectado precocemente, o câncer de pele na cabeça e pescoço tem altas chances de cura e tratamentos menos agressivos. “O olhar atento para essas lesões e a identificação de sinais como assimetria, bordas irregulares, mudanças de cor e crescimento ao longo do tempo pode fazer toda a diferença no desfecho do caso”, conclui o especialista. Procure um dermatologista ou cirurgião de cabeça e pescoço ao notar alterações suspeitas.

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