Durante o verão a atenção aos riscos do câncer de pele costuma se concentrar nos braços, pernas e tronco, mas a cabeça e o pescoço concentram muitos dos diagnósticos mais complexos. O câncer de pele é o tipo de câncer mais comum no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde, ele representa 30% de todos os tumores malignos registrados no país, com taxa de cura superior a 90% quando identificado precocemente.
Áreas mais expostas e riscos
Orelhas, nariz, lábios, couro cabeludo, pálpebras e face são áreas frequentemente expostas ao sol e, paradoxalmente, muitas vezes menos protegidas. Quando o câncer de pele aparece nessas regiões, o tratamento vai além da remoção do tumor: exige reconstrução e cuidado com funções essenciais.
- Áreas com maior exposição ao sol: orelhas, nariz, lábios, couro cabeludo, pálpebras e face.
- Impactos diretos na aparência, autoestima e nas funções como fala, mastigação, respiração, audição e visão.
Desafios do tratamento e reconstrução
“O câncer de pele na região da cabeça e pescoço não é apenas uma doença dermatológica. Em muitos casos, ele exige cirurgias delicadas, que precisam equilibrar a retirada completa do tumor com a preservação da função e da estética do rosto”, explica o Dr. Cleydson Lucena, cirurgião de cabeça e pescoço. A reconstrução pode envolver enxertos, retalhos e atuação multidisciplinar para restabelecer forma e função.
Diagnóstico tardio e sinais de alerta
O diagnóstico tardio é um dos principais agravantes. Lesões pequenas e assintomáticas são frequentemente ignoradas por meses ou anos. É fundamental observar mudanças na pele e procurar avaliação médica ao identificar alterações.
- Assimetria entre as metades da lesão.
- Bordas irregulares.
- Diferentes cores na mesma lesão.
- Lesões maiores que 6 mm ou que crescem com o tempo.
- Sangramento, ulceração ou mudança de aparência.
Risco no verão e prevenção
No verão o risco aumenta pelo maior tempo de exposição solar e uso insuficiente de protetor em áreas como orelhas, pescoço e couro cabeludo. Além da exposição ao sol, câmaras de bronzeamento e a idade são fatores de risco relevantes.
- Use protetor solar de amplo espectro e reaplique, cobrindo orelhas, nuca e couro cabeludo quando possível.
- Considere chapéus de aba larga e proteção física para áreas expostas.
- Evite câmaras de bronzeamento.
- Homens com calvície devem proteger o topo da cabeça com filtro solar ou cobertura física.
Para orientações sobre fotoproteção consulte a Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Prognóstico e recomendação
A boa notícia é que, quando detectado precocemente, o câncer de pele na cabeça e pescoço tem altas chances de cura e tratamentos menos agressivos. “O olhar atento para essas lesões e a identificação de sinais como assimetria, bordas irregulares, mudanças de cor e crescimento ao longo do tempo pode fazer toda a diferença no desfecho do caso”, conclui o especialista. Procure um dermatologista ou cirurgião de cabeça e pescoço ao notar alterações suspeitas.