Valvopatias podem evoluir silenciosamente e comprometer o coração

por: André Vita

Falta de ar durante atividades simples, cansaço excessivo, palpitações, dor no peito, tontura e episódios de desmaio podem ser sinais de alterações nas válvulas do coração. Conhecidas como valvopatias, essas doenças podem evoluir silenciosamente durante anos e, nos casos mais graves, exigir procedimentos por cateter ou cirurgia para reparar ou substituir a válvula comprometida.

Como funcionam as válvulas do coração

O coração possui quatro válvulas responsáveis por garantir que o sangue circule na direção correta. As principais são a aórtica, a mitral, a tricúspide e a pulmonar. Cada uma tem função específica no ciclo cardíaco e sua integridade é essencial para o funcionamento eficiente do órgão.

Estenose e insuficiência valvar

Os problemas valvares acontecem principalmente por dois mecanismos: estenose, quando há estreitamento que dificulta a passagem do sangue, e insuficiência, quando a válvula não fecha adequadamente e permite refluxo sanguíneo. Ambos os quadros sobrecarregam o coração e podem comprometer o músculo cardíaco ao longo do tempo.

Quando tratar ou acompanhar

Segundo Dra. Fabiana Oliveira cirurgiã cardiovascular do Real Instituto de Cirurgia Cardiovascular RICCA, nem toda alteração exige intervenção imediata. “Existem pacientes que podem permanecer durante anos apenas em acompanhamento. A decisão de intervir depende da gravidade da lesão, dos sintomas e do impacto sobre o funcionamento do coração”, explica.

Envelhecimento e risco

O envelhecimento da população aumenta a importância do diagnóstico. A estenose aórtica torna-se mais frequente com o avanço da idade. Quando a doença progride, o coração precisa fazer mais esforço para bombear o sangue, podendo evoluir para insuficiência cardíaca se não for adequadamente monitorada.

Sintomas que merecem investigação

  • Falta de ar aos esforços
  • Redução da capacidade para atividades habituais
  • Cansaço excessivo
  • Palpitações
  • Dor no peito
  • Tontura e desmaios

Muitos pacientes atribuem esses sinais ao envelhecimento e demoram a procurar avaliação médica, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequado.

Diagnóstico

O diagnóstico envolve avaliação clínica e exames por imagem, sendo o ecocardiograma o principal método para identificar qual válvula está comprometida e para avaliar a gravidade da lesão. A partir desses dados a equipe define a melhor conduta para cada paciente.

Tratamentos disponíveis

O tratamento depende da gravidade e das condições clínicas do paciente. Medicamentos podem controlar sintomas e doenças associadas, mas não corrigem alterações estruturais graves. Em casos indicados a cirurgia permite reparar ou substituir a válvula por uma prótese. Procedimentos menos invasivos ampliaram as opções de tratamento, como o TAVI, técnica por cateter utilizada principalmente para substituição da válvula aórtica em casos selecionados.

Decisão individualizada

“A escolha entre acompanhamento clínico, procedimento por cateter ou cirurgia precisa ser individualizada. Hoje contamos com diferentes estratégias para buscar o melhor equilíbrio entre segurança, durabilidade e benefício para cada paciente”, destaca a cirurgiã cardiovascular.

Serviço

Real Instituto de Cirurgia Cardiovascular RICCA
Endereço: Av. Gov. Agamenon Magalhães, 4760 – Paissandu
Instagram: @ricca_rhp

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André Vita

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