Antes de o tutor perceber uma doença, o pet costuma dar sinais de que algo não está bem. Em um país com cerca de 160,9 milhões de animais de estimação, reconhecer mudanças no comportamento pode fazer toda a diferença para um diagnóstico precoce e para a qualidade de vida dos animais.
Sinais comportamentais e percepção da dor
Lucile da Silva Lins Baía, professora do curso de Medicina Veterinária da Estácio, explica que um dos erros mais comuns é esperar manifestações evidentes de dor. “Muita gente acredita que o animal com dor vai chorar ou mancar, mas cães e gatos costumam esconder esse desconforto por instinto de sobrevivência. Por isso, os sinais geralmente são comportamentais e mais discretos do que as pessoas imaginam”, afirma.
Sinais em cães
Alterações na postura e no comportamento merecem atenção. Observe especialmente:
- Andar com o dorso arqueado ou assumir a posição de prece com o peito próximo ao chão e a garupa elevada
- Relutância em subir escadas, entrar no carro ou pular no sofá
- Lamber repetidamente o mesmo local do corpo
- Aumento da frequência respiratória mesmo em repouso
Esses sinais podem indicar dor de origem abdominal, óssea ou articular e não devem ser ignorados.
Sinais em gatos
Os gatos costumam demonstrar desconforto de forma ainda mais sutil. Fique atento a:
- Redução da higiene e deixar de se lamber
- Pêlo opaco, engordurado ou com aspecto desarrumado
- Mudanças no apetite ou no padrão de sono
- Alterações de comportamento, como agressividade ou isolamento em animais normalmente dóceis
Quando procurar o veterinário
É natural observar o animal por um curto período antes de buscar ajuda, mas o tempo de espera não deve ser excessivo. Segundo Lucile, quanto mais demoramos para buscar atendimento, maior é o risco de perder o momento ideal para o diagnóstico e iniciar o tratamento adequado. Sempre que houver mudanças persistentes no comportamento, o mais indicado é procurar avaliação veterinária.
Bem estar animal e prevenção
De acordo com a Organização Mundial de Saúde Animal a qualidade de vida depende de boa alimentação, conforto, segurança e ausência de dor, medo e doenças. Conhecer os hábitos do próprio pet e identificar alterações, mesmo discretas, é uma das principais formas de garantir saúde e prevenir agravamentos que muitas vezes passam despercebidos pelos tutores.