A ideia de que a compra do primeiro imóvel é um projeto para uma fase mais avançada da vida está mudando. Em Pernambuco, jovens entre 18 e 30 anos vêm ganhando espaço no mercado imobiliário e antecipando a decisão de conquistar a casa própria, especialmente no segmento econômico, impulsionado pelas possibilidades de financiamento habitacional e pela busca por maior autonomia financeira.
Jovens impulsionam vendas no segmento econômico
Dados da MRV, construtora com atuação no segmento econômico de Pernambuco desde 2010, apontam que o público de 18 a 30 anos está entre os principais compradores de imóveis enquadrados no Minha Casa Minha Vida na capital. Esse perfil identificado pela empresa representa 54% das vendas feitas no estado, de janeiro a setembro deste ano. Nacionalmente, no primeiro semestre de 2026, 54% dos compradores da construtora tinham entre 18 e 30 anos.
“A conquista também foi viabilizada pelas condições oferecidas pelos programas habitacionais, como o prazo de pagamento de 35 anos, o financiamento com juros que não variam conforme a Taxa Selic e a maior previsibilidade das parcelas, fatores que tornam a compra do primeiro imóvel mais acessível para os jovens”, explica Thiago Ely, VP Comercial e Marketing da MRV.
Motivações dos compradores jovens
Para esse consumidor, a aquisição do imóvel representa mais do que a mudança de endereço. É também uma forma de conquistar independência, organizar a vida financeira e transformar um compromisso mensal com aluguel em patrimônio próprio. Um levantamento da Brain Inteligência Estratégica, divulgado pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC), mostra aumento da intenção de compra entre os jovens.
- 52% dos brasileiros declararam intenção de comprar um imóvel nos próximos meses, o maior patamar desde 2019;
- Entre consumidores de 21 a 28 anos, o índice chegou a 67%, ante 57% em meados de 2025;
- As mudanças de vida aparecem em 64% das respostas como motivação principal.
Entre as motivações citadas destacam-se:
- Sair do aluguel mencionado por 37% dos entrevistados;
- Deixar a casa dos pais por 15%;
- Mudar de localidade por 9%.
Financiamento facilita entrada dos jovens
A ampliação das condições de financiamento habitacional também contribui para que consumidores mais jovens considerem a compra de um imóvel mais cedo. Em abril de 2026, a Caixa começou a operar novas condições do Minha Casa Minha Vida, com atualização dos limites de renda e dos valores dos imóveis financiáveis. As novas regras ampliaram o atendimento para famílias com renda mensal de até R$ 13 mil e elevaram o teto dos imóveis financiáveis para até R$ 400 mil na Faixa 3 e R$ 600 mil na modalidade Classe Média.
Para os jovens, o financiamento de longo prazo pode transformar a renda mensal em estratégia de aquisição patrimonial. A possibilidade de utilizar recursos do FGTS, quando o comprador atende aos critérios, pode ajudar na composição da entrada ou na redução do saldo financiado.
Mercado segue aquecido
O movimento acontece em um mercado que segue aquecido. A Caixa informou, em julho de 2026, que sua carteira de crédito imobiliário alcançou R$ 1 trilhão, com crescimento superior a 14% em 12 meses. Somente no primeiro trimestre de 2026, foram originados R$ 64,2 bilhões em crédito imobiliário pelo banco, alta de 30,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.