Pernambuco possui protagonismo histórico, relevância cultural e econômica, além de posição geográfica privilegiada no Atlântico Sul, atuando como elo natural nas cadeias globais de valor. O Estado conta com ativos de classe mundial: Porto de Suape, hub logístico e industrial; Porto Digital, referência em inovação e tecnologia; Aeroporto Internacional do Recife, estratégico para negócios e turismo.
Para converter esse potencial em desenvolvimento sustentável, é essencial evoluir da promoção passiva para a prospecção ativa de investimentos e empresas. Prospectar significa identificar, com precisão, investidores que se encaixem estrategicamente na economia local, aproveitando vantagens como a matriz energética renovável, localização logística e mão de obra qualificada em TI.
O estado dispõe de base institucional sólida (Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), ADEPE, FIEPE e o Sistema S), com corpo técnico competente e experiente. O desafio é estratégico: definir um roadmap claro e um plano comercial estruturado, com decisão política para atrair capital internacional, através de investimentos diretos estrangeiros (IDE) ou fundos soberanos, private equity e institucionais.
A prospecção ativa deve ancorar-se em clusters consolidados, partindo de um mapeamento preciso das demandas globais pré-identificadas para localizar empresas com necessidades específicas de suprimentos ou expansão que se alinhem às vantagens competitivas locais, oferecendo soluções customizadas em infraestrutura, energia renovável e logística.
Exemplos incluem o polo automotivo de Goiana integrado a Suape, atrativo para sistemistas e fornecedores de engenharia avançada; e o setor energético, onde ressalto o projeto para a produção de metanol verde em Suape atendendo à demanda da Maersk por combustíveis sustentáveis para abastecer sua frota de navios dual-fuel.
Soma-se a esse conjunto uma população jovem, um mercado regional de 57 milhões de consumidores no Nordeste e o capital humano qualificado do Porto Digital, posicionando Pernambuco como um polo híbrido industrial-tecnológico raro e altamente atrativo para investimentos internacionais.
Unindo instituições públicas à propositiva articulação do setor privado (LIDE, ATITUDE e outros), Pernambuco pode criar um ambiente previsível e confiável. O capital global busca oportunidades consistentes; com prospecção ativa e profissional, o estado deixará de ser um potencial para se tornar uma escolha inevitável. O futuro internacional exige planejamento, visão estratégica e coragem para buscar ativamente o investimento onde ele está.
André Bruère – Presidente do LIDE Internacional, com três décadas de atuação em mercados globais