Atividades lúdicas e físicas nas férias de janeiro ajudam a reduzir os efeitos do ócio infantil

por: André Vita

Com a chegada das férias escolares, um desafio comum surge para famílias e responsáveis: como evitar o excesso de tempo ocioso das crianças dentro de casa. Nem sempre é possível investir em viagens ou passeios fora da rotina, o que torna ainda mais importante pensar em alternativas acessíveis, criativas e significativas para esse período.

Planejando atividades significativas

Atividades planejadas para estimular diferentes áreas do desenvolvimento infantil podem ser incorporadas à rotina familiar, respeitando a realidade de cada casa. A proposta é transformar o tempo livre em oportunidade de aprendizado, diversão e fortalecimento de vínculos sem necessidade de grandes custos.

Benefícios emocionais e cognitivos

“Para a criança, a previsibilidade e a organização do tempo trazem segurança emocional. Do ponto de vista neuropsicopedagógico, sabemos que o cérebro infantil se desenvolve a partir das experiências vividas, e o brincar intencional amplia conexões cognitivas, motoras e emocionais, mesmo fora do ambiente escolar”, explica Luciane Galvão, neuropsicopedagoga da equipe da Educação Infantil do Colégio Motivo. Essas experiências ampliam a curiosidade, a atenção e a capacidade de resolução de problemas.

Movimento e espaços ao ar livre

Além das atividades cognitivas e artísticas, o movimento corporal é fundamental. Priorizar espaços amplos e ambientes externos como praças, parques e áreas de convivência favorece a socialização, o contato com outras crianças e a atividade física.

Exemplos simples para brincar em casa e ao ar livre

  • Cadeiras como obstáculos para circuitos de equilíbrio
  • Garrafas como alvos para um boliche improvisado com bola de papel
  • Cordas usadas como caminhos de equilíbrio
  • Almofadas como desafios para deslocamentos com um pé só

Segundo Erlon Maciel, coordenador de esporte do Colégio Motivo, a mediação de um adulto é fundamental para garantir a segurança e ampliar as possibilidades do brincar ativo. O adulto organiza o espaço, propõe regras simples e garante que a atividade seja segura e prazerosa.

Mediar o brincar e construir rotina

A construção da rotina deve considerar a percepção da criança sobre o que é divertido. Quando a atividade é pensada junto com a criança, variando estímulos, ela passa a enxergar esse momento como desejo e não como obrigação. Mesmo quando está sozinha, a criança utiliza o imaginário para dar novos significados ao espaço e às propostas.

Alternativas saudáveis às telas

Essas iniciativas aparecem como alternativas mais saudáveis ao uso excessivo de telas, recurso mais comum quando faltam opções de entretenimento durante as férias. “A redução do uso de telas acontece de forma mais saudável quando oferecemos alternativas significativas e não apenas proibições. Quando a criança encontra propostas interessantes, que envolvem movimento, imaginação, participação da família e desafios adequados à sua idade, a tela deixa de ser o principal recurso. O adulto tem um papel mediador fundamental, validando o brincar como algo valioso”, destaca a neuropsicopedagoga.

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