Bloqueios que atravessam gerações e o impacto da vergonha herdada

por: André Vita

Apesar dos avanços das mulheres no mercado de trabalho e em cargos de liderança, muitas ainda convivem com uma barreira invisível: a sensação persistente de não merecimento. Medo de prosperar, autossabotagem e dificuldade de se posicionar podem ter raízes em histórias familiares que atravessam gerações.

Dados e contexto social

Dados do IBGE mostram que, mesmo com maior escolaridade média, mulheres continuam recebendo salários inferiores aos dos homens e relatam mais insegurança ao ocupar posições estratégicas. Pesquisas sobre comportamento organizacional apontam que a chamada síndrome da impostora é mais frequente entre mulheres, afetando negociações salariais, decisões de carreira e visibilidade profissional.

Raízes transgeracionais da vergonha

Para a terapeuta transgeracional Flávia Távora, muitos bloqueios têm origem em histórias familiares. “Muitas mulheres carregam uma vergonha que não começou nelas. Histórias de falência, rejeição social, abandono ou humilhação vividas por antepassados podem gerar um sentimento inconsciente de que prosperar é perigoso ou que se destacar significa romper com a própria origem.”

Eventos marcantes em gerações anteriores podem criar lealdades invisíveis que orientam escolhas mesmo sem consciência. Exemplos comuns incluem:

  • Perdas financeiras abruptas que geram medo relacionado ao sucesso
  • Rejeição social ou humilhação que condiciona o receio da exposição
  • Histórias de abandono que reforçam insegurança afetiva

Impactos na carreira e na vida financeira

O reflexo dessas dinâmicas aparece em comportamentos como evitar cobrar adequadamente pelo próprio trabalho, hesitar em assumir cargos de liderança ou recuar diante de oportunidades de destaque. Muitas mulheres sentem culpa ao prosperar, sabotam relacionamentos ou não sustentam reconhecimento recebido — não por falta de competência, mas por vínculos inconscientes com o passado familiar.

Como a terapia transgeracional ajuda

A abordagem transgeracional utiliza a leitura da árvore genealógica para identificar padrões repetitivos, datas significativas e dinâmicas familiares que ainda influenciam o presente. Segundo Flávia, o processo terapêutico não busca culpados, mas consciência. “Quando a mulher entende de onde vem o sentimento de não merecimento, ela deixa de lutar contra si mesma e passa a escolher com mais clareza.”

O trabalho inclui reconhecimento das histórias, ressignificação e a construção de novas escolhas que permitam prosperar sem culpa.

Conclusão

Ampliar o debate sobre autoestima e prosperidade feminina é essencial. Reconhecer as raízes emocionais pode ser o primeiro passo para que mulheres ocupem espaços com segurança, prosperem sem culpa e construam trajetórias mais leves e conscientes. Honrar a família não significa carregar suas vergonhas; é possível transformar herança em força.

Serviço

Terapeuta transgeracional Flávia Távora
Endereço: Rua das Pernambucanas, 136, sl 08 – Graças
Instagram: @flaviatavora_terapia

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