Bonitinhas, mas perigosas – Saiba os cuidados ao conviver com as capivaras

por: André Vita

Elas estrelam memes e são as queridinhas do momento, mas estar com esses grandes roedores exige cuidado e limites.

Quem são as capivaras

As capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris) são o maior roedor do mundo e um animal semiaquático, dependente da água para sobreviver. Patrícia Pacheco, professora do curso de Medicina Veterinária da Estácio, explica que elas passam boa parte do dia submersas para regular a temperatura e saem ao amanhecer e no fim da tarde para se alimentar.

Hábitos e comportamento

Vivem em grupos de 10 a 20 indivíduos e mantêm uma estrutura social cooperativa, com cuidado coletivo dos filhotes. São herbívoras, alimentando-se de gramíneas e plantas aquáticas, e praticam cecotrofia para otimizar a absorção de nutrientes e vitamina C. Comunicativas, emitem grunhidos, assobios e estalos, e marcam território por odores. Apesar da proximidade com humanos, continuam sendo animais silvestres, e o contato direto pode causar estresse e alterar seu comportamento natural.

Riscos invisíveis e a febre maculosa

O principal alerta é a febre maculosa brasileira, transmitida pelo carrapato-estrela (Amblyomma sculptum). As capivaras funcionam como hospedeiras amplificadoras, permitindo que o carrapato complete seu ciclo. Em locais com muitas capivaras, o número de carrapatos tende a aumentar, elevando o risco para pessoas e animais domésticos. Para informações oficiais sobre a doença consulte o Fiocruz ou o Ministério da Saúde.

Como se proteger

  • Evite contato direto com as capivaras e nunca as alimente.
  • Use roupas adequadas: calças e camisas de manga longa, de cores claras.
  • Permança nas trilhas e calçadas, longe da vegetação rasteira.
  • Aplique repelente com icaridina ou DEET conforme orientação do fabricante.
  • Revise o corpo e os pets ao voltar para casa, checando axilas, virilha e couro cabeludo.

A inspeção corporal imediata é essencial, já que a transmissão só ocorre após o carrapato ficar fixado por várias horas. Caso encontre um carrapato, remova-o com pinça fina, puxando com cuidado e sem torcer o corpo do inseto. Nos dias seguintes, observe sinais como febre alta, dor de cabeça e mal-estar e procure atendimento médico se surgirem sintomas.

Manejo e convivência responsável

Eliminar capivaras não é solução. O manejo recomendado inclui ações de prevenção e educação, como manter a grama baixa, instalar portais de tratamento com acaricidas em pontos estratégicos, controlar a reprodução das fêmeas e promover campanhas de conscientização. Essas medidas, aliadas ao monitoramento da fauna e ao respeito aos limites da natureza, ajudam a reduzir riscos e permitir um convívio mais seguro entre pessoas, animais domésticos e vida silvestre. Para políticas de manejo e conservação consulte o Órgão responsável pela conservação.

Com manejo adequado e responsabilidade, é possível aproveitar áreas verdes e conviver com capivaras sem colocar em risco a saúde humana e animal.

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