Brasil dobra consumo de ultraprocessados em 40 anos

por: André Vita

Uma coletânea de artigos publicada na revista The Lancet aponta crescimento expressivo no consumo de alimentos ultraprocessados em diversas regiões do mundo. No Brasil, a participação desses produtos na dieta mais que dobrou nas últimas quatro décadas, saltando de 10% para 23%.

Dados e alcance global

O movimento não é exclusivo do Brasil. Em outras nações houve aumentos importantes: na Espanha as compras de ultraprocessados quase triplicaram em 30 anos, de 11% para 31,7%, e no Canadá o aumento foi de 24,4% para 54,9% ao longo de oito décadas.

  • Brasil 10% → 23% (40 anos)
  • Espanha 11% → 31,7% (30 anos)
  • Canadá 24,4% → 54,9% (80 anos)

Impactos na saúde

Especialistas em saúde pública apontam que a substituição de alimentos frescos por produtos ultraprocessados está associada ao aumento de obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes e hipertensão. O nutricionista e professor Abelardo Lima, do curso de Nutrição da Estácio, alerta para os efeitos nocivos desses produtos:

“O aumento do consumo de alimentos ultraprocessados, que ascendeu de 10% para 23% da dieta brasileira nas últimas quatro décadas, representa um desafio significativo para a saúde pública no Brasil. Essa tendência se manifesta em um aumento crescente de casos de obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes e hipertensão crônica, além de distúrbios do trato digestivo. Tal cenário está intimamente ligado ao consumo elevado de aditivos alimentares, corantes, conservantes, alto teor de sal, açúcares simples adicionados e gorduras saturadas presentes nesses produtos.”

Recomendações e orientações

Para enfrentar a situação, Abelardo recomenda seguir as diretrizes do Guia Alimentar para a População Brasileira, com ênfase em alimentos in natura e minimamente processados. Como simplifica o guia, é importante “desembalar menos e descascar mais” para melhorar a qualidade da dieta.

  • Priorizar frutas, verduras, legumes, carnes magras, ovos e grãos integrais.
  • Reduzir produtos com alto teor de sal, açúcar e gorduras saturadas.
  • Ler rótulos e evitar alimentos com muitos aditivos e ingredientes industriais.

Planejamento prático

A praticidade dos ultraprocessados explica parte do crescimento do consumo. Para mudar hábitos, o planejamento semanal é essencial. Algumas dicas práticas:

  • Fazer lista de compras focada em itens in natura e minimamente processados.
  • Preparar refeições em lote e congelar porções saudáveis para a semana.
  • Reservar tempo para cozinhar e envolver a família nas escolhas alimentares.

Com informação, planejamento e adesão às recomendações do Guia Alimentar, é possível reduzir a presença de ultraprocessados na dieta e melhorar indicadores de saúde pública.

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