Passada a Páscoa, o chocolate ganhou protagonismo nas prateleiras e nas mesas dos brasileiros. Símbolo tradicional da data, o alimento desperta tanto prazer quanto dúvidas sobre seus efeitos na saúde. Afinal, o chocolate pode ser aliado ou vilão? A resposta está na composição e, principalmente, na quantidade consumida.
Produzido a partir do cacau, o chocolate, especialmente nas versões com maior teor do fruto, como o meio amargo e o amargo, é rico em compostos bioativos, como os flavonoides. Essas substâncias possuem ação antioxidante, ajudando a combater os radicais livres e contribuindo para a saúde cardiovascular. Estudos também associam o consumo moderado de chocolate amargo à melhora do humor, devido à liberação de neurotransmissores como a serotonina.
De acordo com a coordenadora do curso de Nutrição da Wyden, Joseane Nobre, o chocolate pode trazer benefícios quando consumido com consciência. “O cacau é um alimento funcional, rico em antioxidantes, que pode contribuir para a saúde do coração e até para a redução do estresse. No entanto, é importante optar por chocolates com maior concentração de cacau e menor teor de açúcar”, explica.
Por outro lado, os chocolates ao leite e os chamados “chocolates brancos”, que, na prática, não levam massa de cacau, costumam apresentar altos teores de açúcar e gordura, o que pode favorecer o ganho de peso e o aumento do risco de doenças metabólicas quando consumidos em excesso.
“Durante a Páscoa, é comum exagerar no consumo, o que pode causar desconfortos como dores de cabeça, problemas gastrointestinais e picos de glicemia. O ideal é manter o equilíbrio, saboreando pequenas porções ao longo dos dias”, orienta Joseane.
Outro ponto de atenção é o consumo por pessoas com restrições alimentares, como diabéticos, intolerantes à lactose ou alérgicos. Nesses casos, é fundamental buscar versões adequadas e sempre observar os rótulos.
A recomendação dos especialistas é dar preferência a chocolates com, no mínimo, 50% a 70% de cacau, que concentram maior quantidade de compostos benéficos e menos aditivos prejudiciais à saúde.
Na prática, os ovos de Páscoa não precisam ser sinônimo de restrição, mas sim de escolhas mais conscientes. “O chocolate pode, sim, fazer parte de uma alimentação equilibrada. O segredo está na moderação e na qualidade do produto escolhido”, conclui a nutricionista.