Cuidar de uma criança neurodivergente é, para muitas famílias, um ato diário de amor, dedicação e resistência. Entre terapias, consultas, adaptações de rotina e desafios sociais, pais, mães e cuidadores constroem uma rede de apoio que sustenta o desenvolvimento da criança. No entanto, o impacto emocional desse cuidado contínuo muitas vezes fica invisível.
O adoecimento emocional dos cuidadores
No Janeiro Branco, campanha dedicada à conscientização sobre a saúde mental, especialistas chamam atenção para um ponto sensível e pouco debatido. A exaustão física, a ansiedade, o sentimento de solidão e a culpa por desejar momentos de descanso ou prazer pessoal fazem parte da realidade de muitos cuidadores. Esses sentimentos podem evoluir para quadros de ansiedade, depressão e esgotamento emocional quando não acolhidos.
A culpa como gatilho
Segundo a psicoterapeuta Ana Paula Calado, da Clínica Mundos, o sofrimento emocional dessas famílias costuma ser silencioso e naturalizado. Existe uma expectativa social de que o cuidador esteja sempre forte, disponível e resiliente, explica. A culpa por querer descansar ou por se dedicar a algo que não envolva a criança pode levar à sensação de falha e a um estado de alerta constante, prejudicando o bem-estar e a capacidade de cuidado.
Rede de apoio e limites
Avós, tios, irmãos mais velhos e profissionais que integram a rede de apoio também vivenciam sobrecarga emocional. Reconhecer limites, dividir responsabilidades e pedir ajuda são atitudes fundamentais para preservar a saúde mental coletiva. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, é sinal de consciência, pontua Ana Paula.
Autocuidado e psicoterapia como aliados
Autocuidado não precisa ser complexo ou idealizado. Pequenos gestos cotidianos já fazem diferença: banho tranquilo, caminhada, leitura ou um momento de silêncio. O acompanhamento psicológico oferece um espaço seguro para elaborar sentimentos, ressignificar culpas e criar estratégias emocionais mais saudáveis. Fazer terapia ajuda o cuidador a entender que cuidar de si não diminui o amor pela criança, afirma a psicoterapeuta.
Janeiro Branco como convite à escuta
A campanha propõe refletir sobre como estamos cuidando da saúde mental ao longo do ano. Para famílias de crianças neurodivergentes, é um convite para olhar para dentro, acolher fragilidades e buscar apoio. A saúde mental do cuidador impacta diretamente o bem-estar da criança e a qualidade do cuidado oferecido.
Dicas de autocuidado para cuidadores de crianças neurodivergentes
- Permita-se descansar sem culpa
- Estabeleça limites e aprenda a dizer não quando necessário
- Divida responsabilidades sempre que possível
- Busque apoio psicológico com psicólogo ou psicoterapeuta
- Reserve pequenos momentos da semana para algo que lhe dê prazer
- Converse sobre seus sentimentos com pessoas de confiança
Sobre a Clínica Mundos
A Clínica Mundos é um espaço de atendimento terapêutico multidisciplinar para neurodivergentes com unidades em Recife (Ilha do Leite, Agamenon Magalhães e Boa Viagem), Olinda, Carpina, Vitória de Santo Antão, Caruaru e Petrolina. A equipe reúne cerca de 500 profissionais entre psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicomotricistas, psicopedagogos, fisioterapeutas, nutricionistas e musicoterapeutas. A rede fechou 2025 com 1.385 pacientes, realizou 710 mil sessões, pouco mais de 1,5 mil avaliações neurológicas e deu 258 altas terapêuticas. Para saber mais visite Clínica Mundos.