À medida que o fim do ano se aproxima, muitas pessoas revisitam metas deixadas para trás e sentem frustração ou culpa. Segundo o psicólogo e docente da Estácio, Thiago Lacerda, essa reação é mais comum do que parece e tem explicação: costumamos superestimar nossa capacidade de mudança perante o futuro.
Por que falhamos nas metas de Ano Novo
Viés de otimismo e a cultura do “ano novo, vida nova” criam expectativas irreais. Imaginamos mudanças fáceis, como ir à academia todo dia ou aprender um idioma rapidamente, mas a vida traz imprevistos. A pressão para que a responsabilidade pelo sucesso seja inteiramente pessoal aumenta a culpa quando não alcançamos objetivos.
Impacto na saúde mental
A cobrança excessiva afeta autoestima e bem-estar. Metas não cumpridas podem gerar sensação de fracasso, alimentar a síndrome do impostor e favorecer ansiedade, estresse ou quadros depressivos leves. Como diz Lacerda, a cobrança é “um peso que vai se acumulando” e reduz a energia disponível para autocuidado.
Como transformar frustração em aprendizado
- Reinterprete resultados não alcançados como fonte de informação: pergunte-se o que funcionou e o que precisa ser ajustado.
- Comemore pequenas conquistas — progresso parcial é real e significativo.
- Pratique autocompaixão para reduzir autocrítica e manter motivação.
- Adote uma postura de curiosidade: liste aprendizados e reconheça esforços.
Planejamento saudável e flexível
Lacerda recomenda a chamada flexibilidade intencional: priorize duas ou três metas que realmente importam, crie planos B e inclua margens para imprevistos (sugestão entre 20% e 30% do tempo ou da energia). Essa margem reduz a sensação de fracasso quando eventos inesperados surgem sem paralisar o projeto.
Entrar em 2026 com clareza e leveza
Evite comparações nas redes sociais e foque em valores pessoais. Transforme metas em ferramentas de autoconhecimento e evolução, pratique gratidão pelo processo e use os aprendizados do ano anterior para planejar com mais realismo. Assim, o ano novo pode ser um recomeço empoderador sem o peso do arrependimento.