Movimentos sociais, sindicais, coletivos feministas, grupos culturais, partidos políticos e comunidades de Salvador foram às ruas no domingo (8), Dia Internacional das Mulheres. Com o lema “Mulheres vivas, em luta e sem medo”, a mobilização reuniu participantes a partir das 9h no Cristo da Barra e seguiu em caminhada até o Farol da Barra, na orla da capital.
Contexto da violência contra as mulheres
A mobilização ocorreu em um contexto de aumento da violência contra as mulheres. De acordo com dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), vinculado ao Ministério da Justiça, mais de 100 mulheres foram assassinadas na Bahia em 2025, colocando o estado entre os que mais registram casos de feminicídio no país. A maioria das vítimas é composta por mulheres negras, jovens e trabalhadoras.
Representatividade e lideranças
A atividade também destacou a necessidade de ampliar a presença de mulheres em espaços de liderança, sobretudo das mulheres negras, que historicamente enfrentam maiores barreiras de acesso. Na abertura do ato, a ex-deputada estadual, professora e militante do movimento negro Edenice Santa’Ana saudou as mulheres negras que vêm lutando por voz e espaços, citando referências como Dandara, Carla Akotirene e Luiza Mahin. A unidade na diversidade foi apontada como força para ocupar espaços historicamente negados.
Organização do ato
Nos últimos meses, lideranças do movimento 8M e de outras organizações que defendem os direitos das mulheres se reuniram para planejar o ato, reforçando o caráter histórico do 8 de Março como momento de luta, memória e mobilização social em defesa da vida, da dignidade e da garantia de direitos. Para Lili Oliveira, organizadora da ação, o movimento visa recordar a história de resistência e ampliar as pautas por justiça social e trabalho digno.
Demandas centrais
Durante o ato foram destacadas pautas prioritárias, entre elas:
- Fim do feminicídio e combate a todas as formas de violência contra a mulher
- Defesa da democracia e de políticas públicas com perspectiva de gênero
- Fim da escala 6×1 e melhores condições de trabalho
- Bem Viver como princípio que prioriza a vida e a dignidade
Falas e pressões por justiça
A advogada e co-coordenadora do Levante Mulheres Vivas, Naiara Negreiros, ressaltou que a data não é de celebração, mas de rememorar a coragem e a luta diária das mulheres. Estamos aqui para reafirmar nossos direitos e nossa existência e para cobrar justiça pelos casos de feminicídio, afirmou. A manifestação buscou expor a urgência de medidas efetivas de enfrentamento à violência.
Conexões que Protegem
A mobilização contou com o apoio da Agência LK por meio da iniciativa Conexões que Protegem, que atua na comunicação e difusão de pautas relacionadas à proteção, acolhimento e garantia de direitos das mulheres. A proposta é fortalecer informação, ampliar o debate público e mobilizar a sociedade no enfrentamento à violência contra as mulheres.