Ao longo de anos, muitos setores de trabalho foram marcados pela predominância masculina, especialmente em espaços de liderança. Nos últimos anos esse cenário vem passando por transformações graduais. Entre 2007 e 2018 as mulheres apresentaram aumento de 120% na presença na construção civil segundo o IBGE, avançando também para posições de liderança como engenheiras, gestoras de obras e supervisoras. Esse movimento tem impacto positivo nos resultados das obras e na cultura organizacional das empresas.
Mulheres na liderança na construção civil
No quadro de liderança da Pernambuco Construtora, 41% é composto por mulheres, tanto em áreas administrativas quanto no canteiro de obras. Exemplos incluem:
- Mariana Wanderley diretora executiva comercial e marketing
- Emmanuelle Wanderley diretora executiva financeira
- Maria da Conceição Cabral supervisora do setor de Engenharia e Serviços há quase quatro décadas
“Para mim, o maior desafio era conciliar meu trabalho, que sempre foi em obras fora das cidades, com a criação dos meus filhos. Houveram momentos de culpa, cansaço e questionamentos, ainda assim entendi que ter conhecimento, liderança com a equipe, determinação e gostar do que faz é o diferencial mais importante para um profissional” explica Maria da Conceição.
Desafios em ambientes ainda preconceituosos
A FW Máquinas, distribuidora do setor de construção, conta com 53 colaboradores, dos quais 14 são mulheres e 2 ocupam cargos de liderança, incluindo Juliana Werner, diretora financeira da empresa há 31 anos. Juliana relata que persistência é necessária diante de comportamentos preconceituosos: “Muitas vezes fui ignorada e desrespeitada com comentários machistas em reuniões. Já vi clientes rindo quando souberam que eu iria analisar o crédito financeiro deles. O fato de eu ser sócia deixava a situação um pouco mais confortável, mas não menos constrangedora”.
Avanços no esporte
Além da construção civil, o esporte também registra avanço na presença feminina em espaços de decisão. Um levantamento do Comitê Olímpico do Brasil em 2022 mostrou que mulheres ocuparam cerca de 41% dos cargos nas comissões do ciclo olímpico. A ONU Mulheres reconheceu que os Jogos Olímpicos Tóquio 2020 foram os mais igualitários até então, com 48% de participação feminina.
Exemplo local de liderança feminina
No Recife o Caxangá Golf & Country Club tornou-se o primeiro clube de golfe do país a ser presidido por duas mulheres: Carolina Sultanum como presidente e Gabriela Borba como vice-presidente. Após 97 anos sem mulheres na presidência, a gestão atual ampliou a presença feminina também em outras diretorias, criando referências importantes para associadas e visitantes.
Conclusão e desafios futuros
A presença de mulheres em cargos de liderança contribui para um ambiente mais plural e incentiva outras profissionais a ocuparem esses espaços. Ainda assim, o machismo estrutural persiste e exige esforço contínuo das empresas e instituições para quebrar barreiras e promover igualdade real nas tomadas de decisão.