Mulheres ampliam liderança em áreas tradicionalmente masculinas

por: André Vita

Ao longo de anos, muitos setores de trabalho foram marcados pela predominância masculina, especialmente em espaços de liderança. Nos últimos anos esse cenário vem passando por transformações graduais. Entre 2007 e 2018 as mulheres apresentaram aumento de 120% na presença na construção civil segundo o IBGE, avançando também para posições de liderança como engenheiras, gestoras de obras e supervisoras. Esse movimento tem impacto positivo nos resultados das obras e na cultura organizacional das empresas.

Mulheres na liderança na construção civil

No quadro de liderança da Pernambuco Construtora, 41% é composto por mulheres, tanto em áreas administrativas quanto no canteiro de obras. Exemplos incluem:

  • Mariana Wanderley diretora executiva comercial e marketing
  • Emmanuelle Wanderley diretora executiva financeira
  • Maria da Conceição Cabral supervisora do setor de Engenharia e Serviços há quase quatro décadas

“Para mim, o maior desafio era conciliar meu trabalho, que sempre foi em obras fora das cidades, com a criação dos meus filhos. Houveram momentos de culpa, cansaço e questionamentos, ainda assim entendi que ter conhecimento, liderança com a equipe, determinação e gostar do que faz é o diferencial mais importante para um profissional” explica Maria da Conceição.

Desafios em ambientes ainda preconceituosos

A FW Máquinas, distribuidora do setor de construção, conta com 53 colaboradores, dos quais 14 são mulheres e 2 ocupam cargos de liderança, incluindo Juliana Werner, diretora financeira da empresa há 31 anos. Juliana relata que persistência é necessária diante de comportamentos preconceituosos: “Muitas vezes fui ignorada e desrespeitada com comentários machistas em reuniões. Já vi clientes rindo quando souberam que eu iria analisar o crédito financeiro deles. O fato de eu ser sócia deixava a situação um pouco mais confortável, mas não menos constrangedora”.

Avanços no esporte

Além da construção civil, o esporte também registra avanço na presença feminina em espaços de decisão. Um levantamento do Comitê Olímpico do Brasil em 2022 mostrou que mulheres ocuparam cerca de 41% dos cargos nas comissões do ciclo olímpico. A ONU Mulheres reconheceu que os Jogos Olímpicos Tóquio 2020 foram os mais igualitários até então, com 48% de participação feminina.

Exemplo local de liderança feminina

No Recife o Caxangá Golf & Country Club tornou-se o primeiro clube de golfe do país a ser presidido por duas mulheres: Carolina Sultanum como presidente e Gabriela Borba como vice-presidente. Após 97 anos sem mulheres na presidência, a gestão atual ampliou a presença feminina também em outras diretorias, criando referências importantes para associadas e visitantes.

Conclusão e desafios futuros

A presença de mulheres em cargos de liderança contribui para um ambiente mais plural e incentiva outras profissionais a ocuparem esses espaços. Ainda assim, o machismo estrutural persiste e exige esforço contínuo das empresas e instituições para quebrar barreiras e promover igualdade real nas tomadas de decisão.

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