Retinopatia diabética deve dobrar em 20 anos

por: André Vita

A retinopatia diabética é uma das principais causas de perda visual evitável no mundo. Atualmente, 589 milhões de adultos entre 20 e 79 anos vivem com diabetes, segundo o Atlas de Diabetes da International Diabetes Federation (IDF), e estima-se que esse número chegue a 853 milhões até 2050. O Brasil está entre os dez países com mais diabéticos.

Projeções e aumento dos casos

Com o aumento da longevidade e da prevalência do diabetes tipo 2, especialmente em países como o Brasil, as projeções indicam crescimento exponencial nos casos de retinopatia diabética. Estudos apontam que, até 2045, o número de brasileiros com alguma complicação ocular diabética poderá dobrar.

O que é retinopatia diabética

A retinopatia diabética é uma complicação progressiva que afeta os vasos sanguíneos da retina e, quando não tratada, pode levar à cegueira irreversível. Com evolução silenciosa, a detecção precoce é decisiva para preservar a visão. “A retinopatia diabética é uma complicação progressiva que afeta os vasos sanguíneos da retina e, quando não tratada, pode levar à cegueira irreversível”, explica Alexandre Ventura, do Instituto de Olhos Fernando Ventura.

Consequências no olho

O olho é frequentemente o primeiro órgão afetado. A doença pode causar sangramentos na retina ou dentro do olho e edema na mácula, responsável pela visão de detalhes, cores e leitura. Além da retinopatia, o diabetes pode favorecer glaucoma e catarata.

Por que o diabetes prejudica a visão

“O diabetes é uma causa frequente de cegueira porque o olho é o órgão mais vascularizado do corpo humano. A doença afeta os vasos, artérias e veias. Quem tem hiperglicemia vai estar ‘enferrujando’ essas veias e artérias de dentro pra fora”, explica Alexandre Ventura, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo.

Importância do rastreamento e do acompanhamento

A Organização Mundial de Saúde reforça que estratégias de rastreamento populacional e acompanhamento oftalmológico periódico são essenciais, especialmente em países em desenvolvimento, onde o acesso a especialistas pode ser limitado.

Doença silenciosa e diagnóstico

É possível que o paciente passe meses sem saber que tem diabetes. O controle da glicemia por meio de exames de sangue é fundamental para diagnóstico rápido. O oftalmologista pode ser o primeiro profissional a identificar sinais vasculares que indiquem diabetes.

Tratamento e prevenção

“Se o diabético fizer tratamento periódico, com consultas e exames de rotina, é possível tratar os problemas de visão e, em certos casos, até reverter a situação. Porém, em quadros avançados e sem tratamento, a recuperação pode ser irreversível”, alerta o oftalmologista do Instituto de Olhos Fernando Ventura.

A doença não tem cura, mas pode ser tratada. O controle glicêmico rigoroso e hábitos saudáveis são medidas fundamentais. Quando necessário, o paciente pode receber:

  • Aplicação de laser
  • Implantes ou injeções de medicamentos dentro do olho
  • Cirurgia vitreorretiniana

O melhor prognóstico continua sendo a prevenção, com rastreamento e acompanhamento oftalmológico regular.

Mitos sobre diabetes

Nem toda pessoa que consome muito açúcar terá diabetes: isso depende do funcionamento do pâncreas, órgão responsável por liberar insulina. A hiperglicemia ocorre quando não há insulina suficiente. Controle, prevenção e atenção médica são essenciais para reduzir o risco de complicações oculares.

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