A chegada das férias e das festas de fim de ano costuma representar descanso e confraternização, mas para famílias com pessoas autistas esse período pode trazer desafios importantes, especialmente pela quebra da rotina e pelo aumento de estímulos sonoros, sociais e sensoriais.
Preparação e informação antecipada
A psicóloga Frínea Andrade, especialista em Transtorno do Espectro Autista e mãe atípica de um jovem com autismo, aponta que a mudança brusca de rotina pode provocar ansiedade, insegurança ou comportamentos desorganizados. “A mudança brusca de rotina pode provocar ansiedade, insegurança ou comportamentos desorganizados. Por isso, tudo começa com a preparação. A pessoa autista precisa entender o contexto do que está por vir.”
Explicar com antecedência o que vai acontecer é uma forma de acolhimento. Muitos não são ativos na linguagem verbal, mas compreendem contextos; por isso é fundamental informar sobre o mês de dezembro, férias, Natal, Réveillon, viagens ou visitas que a família receberá.
Agendas visuais e organização
As agendas visuais são grandes aliadas: calendários com fotos, sequências de figuras para cada dia da semana e histórias sociais ajudam a organizar mentalmente as mudanças. Se houver viagem, mostre imagens do local, do meio de transporte e de quem vai junto. Se for receber parentes, apresente quem são essas pessoas com antecedência.
Manter a rotina nas férias
Mesmo nas férias, alguns pilares da rotina devem ser preservados. Sugestões práticas:
- Manter horários aproximados de sono e alimentação
- Criar um espaço de descanso seguro e silencioso em casa
- Intercalar atividades novas com brincadeiras já conhecidas
- Continuar as terapias ou adaptá-las ao período de férias
- Conversar com a equipe terapêutica para ajustes no plano de intervenção
A continuidade das terapias e um nível de estrutura ajudam a evitar regressões e a reduzir a angústia pelo fim das aulas.
Preparando para as festas de fim de ano
Resgatar imagens de Natais anteriores, montar a árvore em família ou criar símbolos novos juntos ajuda a construir memória afetiva e facilita o aprendizado. Sobre queima de fogos, antecipe o momento: mostre vídeos, teste o volume, explique o que vai acontecer e, em casos de sensibilidade auditiva, use abafadores.
“Se a pessoa não estiver confortável com muitas pessoas, não devemos insistir. É preciso ouvir o autista, ainda que de forma não verbal, e respeitar seus limites de desconforto.”
Apresentações escolares e reuniões familiares
Para apresentações de fim de ano, conheça o ambiente, experimente a roupa e converse antes sobre o evento. Nem sempre a pessoa autista quer ou precisa se apresentar; o conforto dela deve prevalecer sobre a expectativa social. Nas reuniões familiares, pequenas adaptações promovem inclusão: pedir para reduzir o volume, usar histórias sociais com imagens e mostrar passo a passo do que vai acontecer reduz muito a ansiedade.
Conclusão
Com preparação, previsibilidade e escuta ativa, festas e férias podem ser acolhedoras também para quem vive o autismo. Organizar o ambiente, respeitar o tempo da pessoa e manter alguns pontos da rotina torna as celebrações mais humanas e possíveis para todos.