Planejamento financeiro é a base da autonomia e a melhor defesa contra o superendividamento. Antecipar gastos e entender o destino de cada real permite que o consumidor mantenha o poder de escolha sobre sua vida.
O cenário do endividamento no Brasil
De acordo com a Pesquisa da CNC de 2026, o Brasil atingiu em março a marca de 80,2% das famílias endividadas. Na Bahia, 43,6% da população fechou o mês de fevereiro em inadimplência, e 12,6% afirmam não ter nenhuma condição de pagar o que devem, evidenciando o abismo do superendividamento.
O cartão de crédito como principal vilão
O cartão de crédito lidera o ranking das dívidas, seguido por contas básicas como água, luz e gás. Juros altos e pagamentos mínimos transformam compromissos temporários em problemas duradouros quando não há planejamento.
Diagnóstico e palavra da especialista
“O orçamento não deve ser visto como uma restrição, mas como um mapa de liberdade. Quando a pessoa visualiza exatamente para onde o dinheiro está indo, ela recupera o poder de decisão e deixa de ser vulnerável às armadilhas do crédito fácil. Planejar é um ato de proteção à dignidade da família”, afirma Flávia Marimpietri, coordenadora do Núcleo de Prevenção e Tratamento ao Superendividamento da Faculdade Baiana de Direito.
Como organizar as contas
A orientação inicial é fazer um diagnóstico completo do orçamento familiar e adotar ferramentas simples de controle.
- Registre todas as fontes de renda, incluindo benefícios como Bolsa Família ou aposentadoria.
- Liste gastos fixos e variáveis e classifique-os por prioridade.
- Estabeleça metas de curto e longo prazo para quitação de dívidas e formação de reserva.
A força da planilha e do diálogo
O controle financeiro começa com transparência. Mantenha uma planilha de Orçamento Familiar, digital ou em papel. Discuta dívidas e prioridades com a família antes de tomar decisões: o compromisso coletivo evita que o orçamento seja comprometido por gastos individuais.
O consumo consciente como defesa
Adote hábitos que reduzam compras impulsivas e protejam o planejamento.
- Evite shoppings por conveniência — não use centros comerciais para resolver tarefas cotidianas que podem ser feitas de forma mais econômica.
- Não leve crianças às compras — pesquisas mostram que crianças influenciam grande parte das decisões de compra.
- Higiene digital — desative notificações de aplicativos de compras ou desinstale-os para evitar ofertas relâmpago.
Proteção jurídica e cuidados com o crédito
Planejar também é saber contratar. Desconfie de facilidades excessivas e consulte um advogado ou especialista antes de renegociar dívidas ou assinar contratos. Procure ajuda da Defensoria Pública da Bahia quando necessário.
- Evite venda casada e exija informações claras sobre o Custo Efetivo Total (CET).
- Prefira atendimento presencial para contratos de empréstimo quando possível.
Sobre a formação
O curso de Educação Financeira, uma parceria entre a Baiana de Direito e a Defensoria Pública da Bahia, continuará com encontros mensais até o final de 2026. A próxima aula abordará o tema “Como economizar no seu dia a dia”, com estratégias práticas para reduzir custos fixos e otimizar a renda.
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