Planejamento é a chave para a autonomia financeira e o combate ao superendividamento

por: André Vita

Planejamento financeiro é a base da autonomia e a melhor defesa contra o superendividamento. Antecipar gastos e entender o destino de cada real permite que o consumidor mantenha o poder de escolha sobre sua vida.

O cenário do endividamento no Brasil

De acordo com a Pesquisa da CNC de 2026, o Brasil atingiu em março a marca de 80,2% das famílias endividadas. Na Bahia, 43,6% da população fechou o mês de fevereiro em inadimplência, e 12,6% afirmam não ter nenhuma condição de pagar o que devem, evidenciando o abismo do superendividamento.

O cartão de crédito como principal vilão

O cartão de crédito lidera o ranking das dívidas, seguido por contas básicas como água, luz e gás. Juros altos e pagamentos mínimos transformam compromissos temporários em problemas duradouros quando não há planejamento.

Diagnóstico e palavra da especialista

“O orçamento não deve ser visto como uma restrição, mas como um mapa de liberdade. Quando a pessoa visualiza exatamente para onde o dinheiro está indo, ela recupera o poder de decisão e deixa de ser vulnerável às armadilhas do crédito fácil. Planejar é um ato de proteção à dignidade da família”, afirma Flávia Marimpietri, coordenadora do Núcleo de Prevenção e Tratamento ao Superendividamento da Faculdade Baiana de Direito.

Como organizar as contas

A orientação inicial é fazer um diagnóstico completo do orçamento familiar e adotar ferramentas simples de controle.

  • Registre todas as fontes de renda, incluindo benefícios como Bolsa Família ou aposentadoria.
  • Liste gastos fixos e variáveis e classifique-os por prioridade.
  • Estabeleça metas de curto e longo prazo para quitação de dívidas e formação de reserva.

A força da planilha e do diálogo

O controle financeiro começa com transparência. Mantenha uma planilha de Orçamento Familiar, digital ou em papel. Discuta dívidas e prioridades com a família antes de tomar decisões: o compromisso coletivo evita que o orçamento seja comprometido por gastos individuais.

O consumo consciente como defesa

Adote hábitos que reduzam compras impulsivas e protejam o planejamento.

  • Evite shoppings por conveniência — não use centros comerciais para resolver tarefas cotidianas que podem ser feitas de forma mais econômica.
  • Não leve crianças às compras — pesquisas mostram que crianças influenciam grande parte das decisões de compra.
  • Higiene digital — desative notificações de aplicativos de compras ou desinstale-os para evitar ofertas relâmpago.

Proteção jurídica e cuidados com o crédito

Planejar também é saber contratar. Desconfie de facilidades excessivas e consulte um advogado ou especialista antes de renegociar dívidas ou assinar contratos. Procure ajuda da Defensoria Pública da Bahia quando necessário.

  • Evite venda casada e exija informações claras sobre o Custo Efetivo Total (CET).
  • Prefira atendimento presencial para contratos de empréstimo quando possível.

Sobre a formação

O curso de Educação Financeira, uma parceria entre a Baiana de Direito e a Defensoria Pública da Bahia, continuará com encontros mensais até o final de 2026. A próxima aula abordará o tema “Como economizar no seu dia a dia”, com estratégias práticas para reduzir custos fixos e otimizar a renda.

Imagem Freepik

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