Projeto YAATHE transforma audiovisual em ferramenta de preservação da única língua indígena viva do Nordeste

por: André Vita

Em uma sala de aula na Aldeia Fulni-ô em Águas Belas, no Agreste de Pernambuco, crianças assistem à própria língua ecoar na tela por meio de um audiovisual produzido dentro da comunidade. A experiência vai além do cinema e se coloca como estratégia urgente para preservar o Yaathe, considerada a única língua indígena viva do Nordeste fora da Amazônia Legal.

Pesquisa e financiamento

O projeto YAATHE foi realizado com incentivo da PNAB PE e do Funcultura, por meio da Secretaria de Cultura do Estado de Pernambuco (Secult-PE) e da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). A iniciativa nasceu da necessidade de frear o processo de perda linguística na Aldeia Fulni-ô, onde, entre cerca de sete mil pessoas, apenas cerca de 500 ainda falam fluentemente o Yaathe.

Metodologia audiovisual

A produtora pernambucana Tempoo, com pesquisa de Mateus Guedes e Fábia Fulni-ô, roteiro e direção de Mateus Guedes e produção executiva de Ana Sofia, desenvolveu uma pesquisa teórico-prática que integra cinema, música, design, ilustração e motion graphics. O trabalho construiu uma metodologia experimental de ensino voltada às novas gerações dentro da própria comunidade.

Videoaula piloto

O principal resultado é uma videoaula piloto para apoiar práticas de alfabetização e letramento em Yaathe. Diferente de formatos tradicionais, o material utiliza elementos visuais, trilhas originais e recursos gráficos para aproximar a língua do cotidiano das crianças, além de fortalecer vínculos afetivos, memória coletiva e sentido de pertencimento.

Participação comunitária

Todo o processo foi desenvolvido em diálogo com lideranças, educadores e pesquisadores indígenas da aldeia, respeitando os modos próprios de circulação do conhecimento ancestral Fulni-ô. O conteúdo completo da videoaula será inicialmente entregue à coordenação pedagógica da aldeia, que definirá sua aplicação nas escolas indígenas locais, com lançamento externo em etapa futura.

Audiovisual na aldeia

Como contrapartida social, o projeto realizou ações pedagógicas nas escolas da aldeia, incluindo aulas experimentais na Escola Indígena Fulni-ô Marechal Rondon para Ensino Fundamental e Médio, em parceria com Fábia Fulni-ô, Hugo Fulni-ô e Waya Fulni-ô. As exibições foram feitas com estrutura de projeção e som, funcionando também como espaço de escuta e ajuste metodológico.

Impacto e acessibilidade

O YAATHE destaca o potencial da cultura como ferramenta de educação, preservação e desenvolvimento local. A equipe reuniu profissionais indígenas e não indígenas, incorporou recursos de acessibilidade em Libras e contratou trabalhadores da aldeia, fortalecendo a economia criativa local e o Coletivo Fulni-ô de Cinema.

Mensagem do projeto

Ao unir arte, tecnologia, pesquisa e educação intercultural, o projeto constrói um modelo experimental de preservação linguística que poderá inspirar futuras iniciativas em territórios indígenas de diferentes regiões do país, afirma Mateus Guedes, pesquisador, roteirista e diretor do YAATHE.

Ficha técnica

  • Pesquisa: Mateus Guedes e Fábia Fulni-ô
  • Roteiro e direção: Mateus Guedes
  • Produção executiva: Ana Sofia
  • Coordenação de produção: Rafael Cavalcanti
  • Produção: NAM
  • Direção de fotografia: José Rebelatto
  • Assistência de câmera: Gabriela Passos
  • Produção local: Coletivo Fulni-ô de Cinema (Hugo Fulni-ô e Waya Fulni-ô)
  • Elenco: Idrian, Maynika, Ediran, Adélia, Keirson, Nicolas, Iviton e Yairon
  • Som: Guto Quijano
  • Produção musical e trilhas: Mateus Guedes (Deriva)
  • Mixagem e masterização: Mateus Guedes (Deriva)
  • Locução: Konan Amorim
  • Direção de arte: Rafael Cavalcanti
  • Edição de vídeo: NA
  • Design: Meio Fio
  • Motion graphics: Meio Fio
  • Acessibilidade: Fernanda Souza

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