El Niño de forte intensidade acende alerta para agricultura, abastecimento e rotina das famílias

por: André Vita

A formação de um El Niño com potencial de forte intensidade em 2026 preocupa especialistas pelos efeitos sobre o regime de chuvas e pelo aumento do risco de eventos climáticos extremos no Brasil. Associado ao aquecimento acima do normal das águas do Oceano Pacífico, o fenômeno pode provocar seca em algumas regiões, excesso de chuva em outras, ondas de calor e reflexos diretos na produção agrícola, no abastecimento de água e no preço dos alimentos.

Impactos na agricultura e no abastecimento

Segundo Flávia Lourenço, professora do curso de Agronomia da Wyden, o tema exige atenção porque seus efeitos não ficam restritos ao campo. Quando há mudança no padrão de chuvas e aumento das temperaturas, a agricultura é uma das primeiras áreas impactadas. Isso pode afetar a produtividade das lavouras, elevar custos de produção e, em alguns casos, chegar ao consumidor por meio da variação no preço dos alimentos, explica a professora.

Efeitos por região

Os impactos variam conforme a região do país. Entre os destaques estão:

  • Norte redução das chuvas, queda no nível dos rios e maior risco de queimadas;
  • Nordeste agravamento de períodos de estiagem e pressão sobre reservatórios;
  • Centro-Oeste calor, baixa umidade e incêndios em áreas de vegetação;
  • Sul maior risco de excesso de chuva com possibilidade de enchentes, alagamentos e perdas agrícolas;
  • Sudeste comportamento mais irregular com alternância entre calor intenso, estiagem e episódios de chuva forte.

Riscos no Sudeste e em São Paulo

Em São Paulo, essa instabilidade pode afetar culturas importantes como cana-de-açúcar, citros, grãos, hortaliças e café. Para o produtor paulista, o desafio está na imprevisibilidade. A chuva mal distribuída e as altas temperaturas podem aumentar a necessidade de irrigação, favorecer pragas e doenças e dificultar o manejo do solo. Por isso, acompanhar previsões climáticas, como as disponibilizadas pelo INMET, e adotar práticas preventivas é fundamental.

Medidas recomendadas para o setor agrícola

Entre as ações sugeridas para reduzir riscos estão:

  • uso racional da água e otimização da irrigação;
  • conservação do solo e manutenção de cobertura vegetal;
  • planejamento do calendário de plantio conforme previsões climáticas;
  • adoção de práticas de manejo integrado para controlar pragas e doenças;
  • acompanhamento técnico contínuo para ajustar operações conforme as condições.

Cuidados para as famílias

Os cuidados também devem chegar à rotina doméstica. Medidas simples podem reduzir a pressão sobre recursos naturais e aumentar a resiliência:

  • evitar desperdício de água e reutilizar quando possível;
  • manter caixas d’água limpas e bem vedadas;
  • reduzir consumo desnecessário de energia em dias muito quentes;
  • não realizar queimadas e preservar áreas verdes;
  • cultivar jardins e hortas domésticas para amenizar o calor e melhorar a umidade do ar.

Conectando campo e cidade

O El Niño mostra como campo e cidade estão conectados. Alterações no clima podem interferir na produção agrícola, no abastecimento, nos custos dos alimentos e no uso de recursos naturais. Por isso, informação, planejamento e prevenção são essenciais para atravessar períodos de maior instabilidade climática, conclui Flávia Lourenço.

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André Vita

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