Setembro Amarelo — como conversar sobre saúde mental com adolescentes

por: André Vita

A saúde mental de crianças e adolescentes tem se tornado uma preocupação cada vez mais presente entre famílias, escolas e profissionais de saúde. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada pelo IBGE, mostram que três em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmaram se sentir tristes sempre ou na maioria das vezes. Criar espaços seguros de diálogo e ensinar jovens a reconhecer e compreender suas emoções é fundamental.

Por que falar sobre saúde mental na adolescência

Conversa aberta sobre emoções contribui para o autoconhecimento e para a identificação precoce de sofrimento emocional. Nesse período de mudanças físicas, sociais e emocionais, a presença de adultos de confiança aumenta a probabilidade de o adolescente se sentir à vontade para compartilhar o que vive.

Referências culturais para facilitar o diálogo

Utilizar filmes, livros, músicas e séries do universo adolescente pode abrir portas para conversar sobre sentimentos. Um exemplo citado é o filme Divertida Mente, que ajuda a reconhecer emoções de forma acessível. Referências culturais tornam a conversa menos invasiva e mais conectada ao cotidiano do jovem.

Sinais e mudanças de comportamento que merecem atenção

Observação atenta de mudanças na rotina e no comportamento é essencial. Alguns sinais que merecem atenção incluem:

  • Alterações no sono e no apetite
  • Isolamento social
  • Perda de interesse por atividades antes prazerosas
  • Mudanças bruscas de humor
  • Queda no rendimento escolar

Esses sinais isoladamente não significam diagnóstico, mas quando representam mudança significativa no comportamento habitual merecem cuidado e avaliação.

Quando e como procurar ajuda profissional

Identificar sinais de sofrimento não é o mesmo que diagnosticar em casa. O ideal é estabelecer uma conversa acolhedora e, quando necessário, buscar orientação de profissionais de saúde. O psiquiatra Rafael Amorim ressalta que a avaliação especializada diferencia oscilações esperadas da fase de quadros clínicos que exigem acompanhamento, e que a medicina atua como aliada da família e da escola.

O papel da família e da escola na rede de apoio

Família e escola podem atuar integradas para escutar, acolher e identificar mudanças emocionais. Professores e profissionais escolares que acompanham a rotina dos estudantes frequentemente percebem sinais que passam despercebidos em outros ambientes. Criar espaços cotidianos de diálogo facilita a busca por ajuda antes de crises.

Setembro Amarelo e prevenção do suicídio

A campanha Setembro Amarelo reforça a importância da prevenção do suicídio e do cuidado continuado com a saúde mental. Evitar infantilizar ou minimizar os sentimentos do adolescente, acolher com empatia e buscar suporte profissional quando necessário são práticas que devem existir o ano todo.

Sobre a Afya

A Afya é um ecossistema de educação e soluções para a prática médica no Brasil, reunindo instituições de ensino e ferramentas digitais de suporte à prática médica. Mais informações em www.afya.com.br e ir.afya.com.br.

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