A curiosidade, a ética, o compromisso com a verdade e a capacidade de interpretar informações continuam entre os fundamentos do jornalismo, mesmo diante das transformações tecnológicas que atravessam a profissão. Eduardo Scolese, editor-líder de Diversidade, Treinamento e Projetos Especiais da Folha de S.Paulo, participou do Festival de Jornalismo do Recife e discutiu as competências exigidas pelo mercado e os desafios da inteligência artificial.
Ética, curiosidade e compromisso com a informação
Formado em Jornalismo pela FIAM e com especialização pela PUC-SP, Scolese destaca que alguns princípios permanecem indispensáveis. Segundo ele, pilares como curiosidade, ética e compromisso com a verdade são essenciais para o exercício da profissão.
“É preciso saber trabalhar em equipe, sempre procurar e ouvir com atenção o contraditório e se manter atualizado, sempre pronto para aprender a cada dia”, afirma Scolese, ressaltando a importância da apuração, da pluralidade de fontes e da disposição para rever entendimentos diante de novas informações.
O que as redações esperam dos novos jornalistas
Para os iniciantes, o trabalho jornalístico vai além de registrar fatos. É necessário transformar ocorrências em informação contextualizada e relevante para o público, ampliando repertório histórico e reconhecendo pautas de interesse coletivo.
Scolese orienta que os jovens profissionais entendam desde o começo a função social do jornalismo: narrar os fatos com contexto e informação e menos opinião, ouvir o contraditório e buscar diversidade de fontes para uma apuração consistente.
Inteligência artificial exige domínio e capacidade de análise
O avanço da inteligência artificial já integra a rotina das redações. Na avaliação do editor, lidar com IA deixou de ser opção e passou a ser exigência diária.
“Uma coisa é clara. Todos os jornalistas já têm de lidar com IA em seu dia a dia. Não existe opção”, afirma Scolese. Ele destaca que se destacarão os profissionais que utilizarem as ferramentas rapidamente, mantendo conhecimento e capacidade crítica para interpretar as informações geradas.
A reflexão reforça que o uso de tecnologia não pode substituir o discernimento humano: o domínio das ferramentas precisa estar associado a repertório, contexto e verificação.
Trajetória reúne experiência editorial e produção de livros
Ao longo da carreira na Folha de S.Paulo, Scolese atuou como repórter, correspondente em Brasília, editor-assistente de Política, secretário-assistente de Redação, coordenador da Agência Folha e editor das editorias de Cotidiano e Política.
- A Reforma Agrária — Publifolha
- Viagens com o Presidente — Record
- Pioneiros do MST — Record
- Eleições na Estrada — Publifolha
- 1.461 Dias na Trincheira — Autêntica
Festival reúne profissionais para discutir a prática jornalística
Idealizado e dirigido por Kátia Cubel, o Festival de Jornalismo do Recife conecta estudantes universitários e profissionais a nomes de atuação nacional e internacional para compartilhar conhecimentos técnicos, éticos e comportamentais.
A participação de Scolese no painel “O que o Mercado espera de você” colocou em debate fundamentos éticos, apuração rigorosa, construção de repertório e adaptação a tecnologias que mudam a produção de notícia.
Serviço
- Evento Festival de Jornalismo do Recife
- Data quarta-feira, 28 de outubro de 2026
- Participante Eduardo Scolese, editor-líder de Diversidade, Treinamento e Projetos Especiais da Folha de S.Paulo
- Painel O que o Mercado espera de você
- Local Auditório da OAB Centro do Recife
- Debatedores Eduardo Scolese, Eldo Gomes e Felipe Resk
