Nem todo produto “protein” é saudável, nutricionista explica o que observar antes de consumir

por: André Vita

A busca por uma alimentação com maior quantidade de proteína tem ganhado cada vez mais espaço, incluindo nas prateleiras dos mercados. Iogurtes, bebidas, barras, sobremesas e outros produtos com a indicação “protein” aparecem com frequência. Apesar do apelo, a proteína adicionada não torna, por si só, um produto indispensável ou necessariamente saudável.

Quando produtos protein podem ajudar

“Proteína é necessária; produto ‘protein’, não necessariamente” explica a nutricionista da Hapvida, Maria Eduarda Doria. Esses produtos podem ser úteis por praticidade, especialmente para pessoas com dificuldade de realizar uma refeição adequada ou de alcançar a necessidade diária de proteína. Nesses casos, iogurtes proteicos, bebidas ou suplementos podem funcionar como estratégia, mas não devem ser considerados nutricionalmente indispensáveis. Para mais informações sobre a instituição, consulte Hapvida.

O que observar no rótulo

A quantidade de proteína não deve ser o único critério na hora da compra. Verifique também:

  • a presença de açúcares adicionados;
  • gordura saturada;
  • sódio;
  • fibras;
  • valor energético;
  • tamanho da porção e lista de ingredientes.

A recomendação é priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e evitar que ultraprocessados substituam alimentos tradicionais.

Fontes naturais de proteína

A maioria das pessoas consegue atingir a necessidade de proteína por meio de uma alimentação variada. Exemplos de fontes naturais:

  • ovos;
  • leite e derivados;
  • carnes, peixes e frango;
  • feijão, lentilha, grão-de-bico e soja.

Recomendações de ingestão

Não existe uma quantidade universal ideal para todos. A ingestão varia conforme idade, peso e condições de saúde. Para idosos, especialistas frequentemente recomendam ingestão maior, na faixa de 1,0 a 1,2 g por quilo de peso por dia, dependendo das condições clínicas e do nível de atividade física.

Para adultos, a referência da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos é de aproximadamente 0,83 g de proteína por quilo de peso corporal por dia. Para pessoas fisicamente ativas, a International Society of Sports Nutrition indica aproximadamente 1,4 a 2,0 g por quilo de peso por dia. Consulte as fontes oficiais em EFSA e International Society of Sports Nutrition.

Excessos e cuidados

Evite generalizações sobre efeitos do consumo elevado de proteína. A ideia de que “proteína em excesso destrói os rins” não representa adequadamente a literatura científica. Em pessoas saudáveis, dietas com maior proteína podem ser seguras em contextos específicos. O problema é quando o consumo se torna desnecessariamente elevado e desequilibrado, substituindo outros nutrientes importantes.

Pessoas com doença renal precisam de avaliação individualizada. Nesses casos a quantidade de proteína deve considerar o estágio da doença, exames, tratamento e eventual necessidade de diálise.

Mitos comuns sobre proteína

Alguns mitos frequentes a considerar:

  • “Quanto mais proteína, mais músculo” nem sempre é verdade; ganho muscular depende também de treino de força, ingestão energética adequada, recuperação e sono.
  • Não é obrigatório usar whey para ganhar massa muscular; é uma fonte prática, mas as necessidades podem ser alcançadas por alimentos.
  • Proteína por si só não provoca ganho de gordura; o excesso de energia total é o que favorece ganho de peso.
  • Carboidrato não atrapalha ganho de músculo; é importante como fonte de energia para quem treina.

Sintomas e sinais de alerta

Não existe um conjunto específico de sintomas que diagnostique sozinho o excesso de proteína. Entretanto, uma alimentação muito concentrada nesse nutriente e pobre em fibra pode causar desconforto gastrointestinal, sensação de estômago pesado e constipação. Outro sinal de atenção é quando produtos proteicos passam a substituir frutas, verduras, legumes, carboidratos e outras fontes importantes de nutrientes.

Orientação final

Mais do que contabilizar gramas de proteína em cada produto, observe a alimentação como um todo. O suplemento deve ser entendido como uma ferramenta, e não como requisito para uma alimentação saudável, reforça a nutricionista.

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André Vita

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