Um projeto piloto socioeducativo tem utilizado o futsal como ferramenta para promover transformação social entre adolescentes atendidos pela Funase no Recife. Voltado a jovens entre 14 e 21 anos acompanhados pela rede socioeducativa, o projeto aposta no esporte coletivo para fortalecer vínculos, estimular o senso de pertencimento e apoiar a construção de novos projetos de vida.
Intersetorialidade e estrutura
A proposta que acontece na Casa de Semiliberdade (Casem) Harmonia foi articulada de forma intersetorial, envolvendo a Secretaria de Saúde, a Secretaria de Esportes do município, o Distrito Sanitário IV e uma academia pública. A ideia é reunir profissionais de diferentes áreas para garantir uma abordagem integrada voltada ao desenvolvimento físico, social e emocional dos participantes.
Interesse dos adolescentes e impacto
É possível perceber o quanto o esporte contribui para a saúde física e emocional desses jovens, além de promover disciplina e melhor convivência no grupo. Ver a dedicação e a alegria no dia dessa atividade reforça a importância de projetos como esse na vida desses adolescentes, comentou Alinne Medeiros, gestora da unidade.
Triagem de saúde e encaminhamentos
Antes de ingressarem nas atividades, os adolescentes passam por uma triagem de saúde realizada pela equipe da própria unidade. Casos que demandam acompanhamento específico são encaminhados para o Distrito Sanitário, fortalecendo a conexão com a rede de atenção básica e garantindo cuidado contínuo.
Condução das atividades e equipe
As atividades de futsal são conduzidas por profissional da área esportiva e contam com o acompanhamento socioeducativo. Jefferson Portto, orientador e pesquisador da área de sociologia do esporte, é responsável pelo acompanhamento dos impactos relacionados à identidade, pertencimento e reinserção social dos participantes. A proposta também prevê rodas de conversa com o professor Bruno Chaves, árbitro profissional com atuação nas Séries A e B do futebol nacional, para promover diálogos sobre esporte, disciplina e perspectivas de futuro.
Metodologia e rotina
A metodologia vai além da prática esportiva e inclui momentos de acolhimento e convivência. Entre as ações previstas estão:
- Participação voluntária dos adolescentes com critérios disciplinares e de saúde estabelecidos pela unidade
- Encontros às terças e quintas-feiras no período da manhã
- Momentos de acolhimento e convivência, com previsão de rodas de conversa voltadas à construção de perspectivas de futuro
- Uso do esporte como ferramenta socioeducativa estruturada, aproximando os jovens de uma rotina semelhante à de atletas de base
Depoimentos e percepções
A gente tá gostando muito desse projeto que a Funase tá proporcionando, podendo trazer a gente pra quadra, dando esse momento de lazer e também realizando vários sonhos que várias pessoas aqui, por mais que a gente cometeu coisa errada, a gente também tem um sonho né Todo mundo é ser humano, todo mundo tem um sonho e vários aqui com um sonho de ser jogador e a Funase está proporcionando essa oportunidade pra gente, relatou E.F.A., 17 anos.
Monitoramento e perspectivas
Jefferson realiza análise dos impactos por meio de entrevistas semiestruturadas e grupos focais para acompanhar identidade, pertencimento e reinserção social. Atualmente, a participação varia entre cinco e 12 jovens, e há perspectiva de continuidade e expansão para outras unidades da Funase, com possibilidade de ampliação para outras modalidades esportivas.