Sem enxergar, Luciano Ambrósio fotografa Brasília e lança livro sobre esse olhar

por: André Vita

Antes de apertar o botão da câmera, Luciano Ambrósio já viu a cena, só que não com os olhos. Cego, ele reconhece o espaço ao redor pelo tato, pela textura do chão sob os pés, pela inclinação do terreno e pelos sons ao redor. Só então usa um aplicativo que descreve imagens em voz alta para confirmar o enquadramento e, finalmente, fotografar.

Lançamento do livro Meu Olhar

Meu Olhar é o novo livro de Luciano Ambrósio, resultado de um processo construído ao longo de anos. A obra será lançada no dia 17 de novembro, às 18h30, na Biblioteca Luiz Gama no Senado Federal.

Fotografia e poesia em diálogo

A publicação reúne fotografias e poesias de Luciano, duas linguagens que se complementam. “Nem a fotografia por si só diz tudo o que eu quero dizer. Ela dá uma pista, o resto é com quem está vendo”, explica o autor. Na poesia, ele aborda fé, espiritualidade e otimismo, temas que revelam o que está nas entrelinhas e o que a imagem sozinha não alcança.

Um olhar autêntico

Luciano não esconde as marcas de um enquadramento feito sem visão: um leve tremor, composições menos previsíveis e um ponto de vista singular. Para ele, essas características não diminuem a fotografia, pelo contrário, tornam-na autêntica. “Isso caracteriza bem que é uma foto de um cego, de uma pessoa com um olhar diferenciado”, afirma.

O que o autor espera

Mais do que mostrar imagens e versos, Luciano espera aproximar as pessoas de sua própria humanidade. “Quero que o leitor se reconheça ali, nas coisas que eu vejo e na forma como escrevo. Independentemente de eu ser cego e você enxergar, em essência somos todos iguais”, diz o autor.

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