Toda criança fica doente, mas quando é hora de investigar a imunidade?

por: André Vita

Nariz escorrendo, tosse, febre e mais uma ida ao pediatra. Para muitas famílias com crianças pequenas, a sensação é de que um resfriado mal termina e outro já começa. A situação costuma ficar ainda mais frequente quando a criança passa a frequentar creches e escolas e aumenta o contato diário com outras pessoas. Hapvida observa que esse padrão é muito comum nos primeiros anos de vida.

Por que quem entra na escola costuma adoecer mais

Aumento da exposição a vírus e bactérias. Na creche ou na escola a criança passa várias horas em contato próximo com outras crianças, compartilha ambientes e objetos e encontra uma variedade maior de agentes infecciosos. Isso explica por que os episódios respiratórios podem parecer quase contínuos em determinadas fases: um resfriado pode durar alguns dias e, pouco depois da recuperação, uma nova infecção pode surgir. A frequência isolada não é suficiente para diagnosticar alteração do sistema imunológico.

Quando o vive gripado merece atenção

Mais importante do que contar episódios é observar a intensidade das doenças e como a criança se recupera. Infecções muito graves, difíceis de tratar ou que surgem repetidamente podem justificar avaliação mais aprofundada.

  • Pneumonias recorrentes
  • Necessidade frequente ou prolongada de antibióticos
  • Infecções incomuns ou persistentes
  • Dificuldade para ganhar peso
  • Internações repetidas
  • Histórico familiar de imunodeficiência
  • Infecções recorrentes de ouvido ou dos seios da face que não respondem ao tratamento esperado

“Quando temos uma criança que apresenta infecções de maior gravidade, precisa ser internada repetidamente, demora muito para responder ao tratamento ou não apresenta crescimento adequado, precisamos olhar para esse quadro de forma diferente”, explica a pediatra Gorete Garcia.

É preciso pedir exames toda vez que a criança adoece

Não. Uma sequência de resfriados comuns em uma criança que cresce adequadamente, recupera-se bem entre os episódios e não apresenta infecções graves geralmente não é indicação de extensa investigação imunológica. A decisão de solicitar exames depende da história clínica, do tipo e da frequência das infecções, da resposta aos tratamentos e de outros sinais observados pelo pediatra. Se houver sinais de alerta o pediatra pode iniciar exames ou encaminhar a um especialista.

Existe alimento que aumenta a imunidade

Não existe um alimento milagroso que aumente imediatamente a imunidade. O que contribui para o funcionamento adequado do organismo é uma alimentação variada e equilibrada, com oferta adequada de nutrientes. A Organização Mundial da Saúde recomenda dieta diversificada com frutas verduras legumes grãos e fontes de proteína para o crescimento e a saúde infantil. Vitaminas e suplementos só devem ser usados com orientação profissional quando há necessidade identificada.

Vacinação e hábitos de prevenção fazem diferença

Manter a vacinação em dia é uma das principais medidas para proteger crianças contra doenças infecciosas. Medidas simples de higiene ajudam a reduzir a transmissão de vírus respiratórios como lavar as mãos regularmente e ensinar a criança a cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar. Sono adequado alimentação equilibrada e atividade física apropriada para a idade também são fundamentais.

Conclusão Mais importante do que tentar impedir qualquer doença é acompanhar a saúde da criança como um todo. Ficar doente algumas vezes faz parte da infância e não significa necessariamente problema de imunidade. O alerta aparece quando as infecções fogem do padrão esperado seja pela gravidade pela dificuldade de tratamento ou por outros sinais associados. O acompanhamento regular com o pediatra é essencial para diferenciar situações comuns de quadros que precisam ser investigados.

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