Depois dos 18 anos, o que muda na saúde? Pesquisa internacional chama atenção para prevenção entre jovens

por: André Vita

Após os 18 anos, uma série de mudanças acontece na vida de uma pessoa, inclusive na forma de cuidar da própria saúde. Consultas que antes eram organizadas pelos pais ou responsáveis passam a depender da iniciativa do próprio jovem e, em meio à rotina de estudos, trabalho, vida social e outras responsabilidades, o acompanhamento médico pode acabar ficando em segundo plano. A sensação de estar saudável, especialmente quando não há sintomas perceptíveis, também pode contribuir para que a prevenção deixe de ser prioridade.

Levantamento internacional e implicações

Um levantamento conduzido pelo Centro Médico Wexner, da Universidade Estadual de Ohio, reforça esse cenário. Segundo a pesquisa, um em cada quatro jovens adultos não possui um médico de atenção primária. Entre as pessoas de 18 a 29 anos que têm algum acompanhamento, apenas 47% realizaram uma consulta de rotina no último ano. Embora o estudo tenha sido realizado nos Estados Unidos, os achados chamam atenção para uma questão também relevante no Brasil: a transição para a vida adulta pode afetar a construção de uma rotina de cuidados preventivos.

Nem todo problema dá sinais

Para a clínica geral da Hapvida, Stephanie Paula Dourado, sentir-se bem não significa necessariamente que não exista motivo para realizar uma consulta de prevenção. Algumas doenças podem começar de forma silenciosa, como hipertensão, alterações de colesterol e glicemia. A médica lembra que fatores de risco, predisposição genética e histórico familiar podem elevar a necessidade de atenção mesmo em pessoas jovens. Conhecer esses antecedentes ajuda o profissional a definir quais cuidados priorizar.

Consulta não é sinônimo de bateria de exames

Ter acompanhamento não significa que todo jovem precisa fazer uma lista extensa de exames todos os anos. Os exames devem ser solicitados conforme a idade, o histórico familiar e os fatores de risco, evitando procedimentos desnecessários. A consulta é o momento para avaliar aspectos que podem passar despercebidos, como:

  • pressão arterial
  • alimentação
  • atividade física
  • sono
  • vacinação
  • saúde mental

Hábitos que começam agora e influenciam o futuro

A entrada na vida adulta é uma fase importante para estabelecer comportamentos duradouros. Segundo Stephanie Paula, hábitos como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono adequado, não fumar, controlar o peso e cuidar da saúde mental fazem diferença tanto no presente quanto nas próximas décadas. A proposta é que o jovem veja o cuidado com a saúde como parte da autonomia conquistada na vida adulta. Para um jovem saudável, uma avaliação preventiva periódica, geralmente anual, é uma boa oportunidade para acompanhar a saúde e manter a prevenção.

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André Vita

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