Decidir começar a treinar depois dos 40 pode vir acompanhado de uma sensação conhecida: “eu já fiz isso antes”. Quem corria, jogava futebol, fazia musculação ou praticava outro esporte na juventude pode imaginar que basta voltar à antiga rotina. Mas lembrar como era treinar não significa que o corpo esteja preparado para receber a mesma carga.
O ponto de partida depois dos 40
O ponto de partida pode ser diferente daquele de duas décadas atrás. Tempo sem atividade física, lesões antigas, dores recorrentes, mudanças na rotina e condições de saúde são fatores que devem ser considerados na retomada. Por isso, especialistas em cardiologia e Medicina do Esporte destacam cuidados importantes para quem decidiu colocar o corpo em movimento depois dos 40.
Confira sua saúde antes de aumentar o ritmo
Com os anos, a pessoa pode ter acumulado informações importantes sobre a própria saúde, como alterações de pressão ou colesterol, uso de medicamentos, histórico familiar ou dores recorrentes. Conhecer esse contexto ajuda a definir uma atividade e uma intensidade compatíveis com a condição atual. A necessidade de avaliação médica deve ser considerada de acordo com o histórico e as características de cada pessoa.
“Antes de iniciar ou retomar uma atividade física, é importante considerar como está a saúde naquele momento. Ao longo dos anos, a pessoa pode ter adquirido alguma condição que não existia quando era mais jovem ou pode estar usando medicamentos que precisam ser levados em conta”, explica a cardiologista Rafaela Rodrigues, professora de Medicina da Afya Garanhuns.
Não treine aos 40 como treinava aos 20
Quem já praticou exercícios pode cair na armadilha de usar o próprio desempenho do passado como referência. A experiência anterior é útil, mas não significa que o organismo esteja preparado para repetir imediatamente a mesma distância, carga ou intensidade. Se houve um período parado, é preciso reconstruir gradualmente força e condicionamento.
“A principal referência para definir a carga de um treino não deve ser aquilo que a pessoa conseguia fazer antes, mas aquilo que o organismo consegue suportar hoje. Mesmo quem já teve experiência com determinada modalidade precisa considerar o tempo que ficou parado, possíveis lesões anteriores e o nível atual de força e condicionamento”, explica o médico pós-graduado em Medicina do Esporte Diego Reis, da Afya Jaboatão.
Preste atenção à recuperação e às dores
Na retomada, músculos e articulações voltam a receber estímulos aos quais podem não estar acostumados. Observe a resposta do corpo nos dias seguintes e diferencie o desconforto muscular esperado de uma dor persistente ou que interfere nos movimentos. O cuidado merece atenção especial quando existe histórico de lesões.
Escolha um exercício que faça sentido para sua vida
Depois dos 40, trabalho, família e outros compromissos podem deixar menos espaço para mudanças radicais na rotina. Por isso, mais do que escolher uma modalidade pela intensidade, é importante encontrar uma atividade que seja possível manter. Opções podem incluir:
- Caminhada
- Corrida
- Musculação
- Natação
- Bicicleta
- Esportes coletivos
Essas atividades são válidas desde que compatíveis com as condições e os objetivos de cada pessoa.
“A pessoa precisa escolher uma atividade física que consiga encaixar de forma simples na rotina para facilitar a continuidade dela. Não adianta começar com uma programação muito intensa ou escolher uma modalidade que exige muitas horas semanais de treino e abandonar poucas semanas depois”, afirma Rafaela.
Comece com realismo e constância
Começar a treinar depois dos 40 não precisa ser uma tentativa de recuperar o desempenho de outra época. O mais importante é reconhecer as condições atuais, respeitar a adaptação do corpo e construir uma rotina de exercícios que possa ser mantida ao longo dos anos.
