O gesto de levar os dedos à boca para roer as unhas é uma cena comum no cotidiano, muitas vezes iniciada ainda na infância. O que é socialmente aceito como uma simples mania ou vício estético esconde riscos biológicos. A onicofagia pode ser o ponto de partida para quadros clínicos graves, incluindo infecções que exigem cirurgia e, em casos de negligência, a perda definitiva de um dedo.
Prevalência do hábito
A onicofagia é bastante comum. De acordo com estudo publicado na National Library of Medicine, entre 20% e 30% da população mundial possui o hábito de roer as unhas, abrangendo todas as faixas etárias. A alta prevalência não diminui a periculosidade da prática para o organismo humano.
Contaminação e riscos sistêmicos
Cláudia Velasco, diretora médica da Clínica SiM, explica que a gravidade reside na vulnerabilidade que o ato cria. “A boca é uma das regiões mais contaminadas do corpo e, ao ferir a pele ao redor da unha, criamos uma porta de entrada direta para bactérias agressivas na corrente sanguínea”, afirma a médica.
O processo de contaminação ocorre de forma cíclica: a sujeira acumulada sob as unhas — composta por resíduos ambientais, fungos e bactérias — é transportada diretamente para a mucosa bucal. Simultaneamente, a saliva, que contém enzimas e microrganismos próprios, penetra nas microlesões causadas pelos dentes na região das cutículas. Esse ambiente úmido e ferido é ideal para o surgimento de paroníquia, infecções que provocam inflamações severas e acúmulo de pus.
Riscos extremos e caso clínico
Um caso ilustrativo é o da jovem Gabby Swierzewski, que quase perdeu um dedo após uma infecção iniciada pelo hábito de roer as unhas evoluir rapidamente. O quadro exigiu intervenção cirúrgica de emergência para remover tecido infectado e impedir que a bactéria atingisse o osso ou se espalhasse pela mão, o que poderia resultar em amputação.
Como identificar sinais de infecção
É essencial reconhecer os sinais de que uma infecção está em curso. Fique atento a:
- Vermelhidão e inchaço — a pele ao redor da unha torna-se quente, vermelha e sensível
- Pus — surgimento de secreção amarelada ou esverdeada sob a pele
- Latejamento — sensação de pulsação constante e dolorosa no dedo
- Febre e calafrios — indicativos de que a infecção pode estar deixando de ser local para se tornar sistêmica
Raiz emocional e tratamento integrado
Antes de ser apenas um problema dermatológico, a onicofagia costuma refletir questões psicológicas ligadas ao estresse e à ansiedade. A psicóloga da Clínica SiM, Mirella Martins Lippi, alerta que procurar um psicólogo ou psiquiatra é fundamental para entender os gatilhos do comportamento e tratar a causa primária, evitando que a intervenção seja apenas física.
Cláudia Velasco reforça que o sucesso do tratamento depende de abordagem em duas frentes: o cuidado médico para tratar a infecção e o suporte psicológico para controlar a ansiedade e prevenir reinfecções.
Dicas práticas para interromper o hábito
Romper com a onicofagia exige estratégia e persistência. Recomendações da equipe da Clínica SiM:
- Manter unhas curtas — reduz a área de ataque e o estímulo para roer
- Esmaltes amargos — substâncias de sabor desagradável funcionam como lembrete consciente
- Substituição de estímulo — utilizar bolinhas antiestresse ou fidgets para ocupar as mãos
- Barreiras físicas — curativos nos dedos em momentos de maior ansiedade impedem o acesso direto aos dentes
A mudança de comportamento exige paciência e ferramentas que ajudem a quebrar o reflexo automático de levar a mão à boca nos momentos de tensão.
Sobre a Clínica SiM
A Clínica SiM, integrante do Grupo SiMco, é uma rede de clínicas com presença na Bahia, Ceará e Pernambuco. Com mais de 230 mil beneficiários ativos, a instituição busca democratizar o acesso à saúde combinando expansão, inovação e inclusão.
Serviço
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