Evitar grandes oscilações é prioridade para quem se considera um investidor conservador, mas baixa variação não significa ausência de risco. Dependendo do objetivo e do prazo, priorizar apenas estabilidade pode aumentar a chance de o patrimônio não cumprir sua função.
Risco vai além da volatilidade
Para Rodrigo Sgavioli, head de Alocação da XP, o risco de um investimento não deve ser avaliado apenas pelo quanto ele oscila. É preciso considerar também para que aquele dinheiro será usado, quando será necessário e se a estratégia adotada é compatível com esse objetivo.
Quando ser conservador aumenta o risco
Portfólios muito conservadores podem incorrer no risco de não tomar risco suficiente. A alocação diversificada não existe para eliminar todos os riscos, mas para selecionar riscos necessários e remunerados que elevem a probabilidade de atingir objetivos com disciplina e controle.
Como o risco pode se manifestar
- Perda do poder de compra por causa da inflação
- Retorno abaixo do necessário para alcançar a meta
- Necessidade de resgatar recursos antes do previsto
Exemplo prático
No estudo ‘Repensando o ativo sem risco’, a XP simulou uma investidora que precisava pagar a faculdade do filho em cinco anos. Foram comparadas uma aplicação atrelada ao CDI e um título indexado à inflação com prazo semelhante. Na maior parte dos cenários, o valor acumulado no CDI não foi suficiente para cobrir o custo da faculdade, mostrando que estabilidade nominal não garante segurança real.
Segurança depende do objetivo e do prazo
Uma reserva de emergência, a entrada para um imóvel e um plano de aposentadoria podem ser conservadores, mas estarão expostos a riscos diferentes. Para quem precisará dos recursos em pouco tempo, liquidez e estabilidade pesam mais. Em horizontes longos, preservar poder de compra e obter retorno real tornam-se prioritários.
Ativo isolado versus carteira
O estudo ‘Da teoria à carteira’ mostra que um ativo pouco atraente isoladamente pode reduzir volatilidade, proteger em cenários específicos ou compensar movimentos de outros investimentos quando combinado em uma carteira. Segurança deveria ser medida pela capacidade da combinação de investimentos de atender aos objetivos, não apenas pela oscilação individual de cada produto.
Risco de não atingir a meta
Imagine um investidor que precisa de retorno real de 6% ao ano para a aposentadoria. Aplicando 100% em um título público que renda 4% ao ano, ele opta por maior estabilidade, mas escolhe uma alternativa insuficiente para atingir a meta, aumentando o risco de não alcançar o objetivo.
Conclusão
Alinhe alocação ao objetivo e ao prazo. Avalie a necessidade de retorno real, a proteção contra inflação e a liquidez conforme o horizonte. Em vez de eliminar volatilidade a todo custo, selecione riscos remunerados e diversifique para aumentar a probabilidade de cumprir as metas financeiras.
