Usar carro de passeio para campanha política exige alteração do contrato do seguro auto

por: André Vita

Com o início da propaganda eleitoral em 16 de agosto, aumenta o número de veículos adesivados e de automóveis particulares utilizados em atividades de campanha. Mudanças no perfil de uso ou na aparência do veículo sem comunicação prévia à seguradora podem comprometer a cobertura do seguro auto.

Por que comunicar a seguradora

Embora a Justiça Eleitoral regulamente a propaganda em veículos particulares, o cumprimento das regras eleitorais não garante automaticamente a manutenção da cobertura. Cada seguradora tem critérios próprios para avaliar alterações no veículo e na sua finalidade de uso, sendo fundamental consultar o corretor antes de adesivar ou mudar a utilização.

Orientação das entidades do setor

O Sindicato das Seguradoras do Norte e Nordeste (Sindsegnne) e a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) recomendam que o segurado informe previamente qualquer adesivação ou alteração de uso para verificar as regras da apólice. Leandro Vasco, diretor do Sindsegnne, reforça a importância da análise do risco por cada seguradora.

Adesivação pequena x envelopamento

A presença de adesivos de pequeno porte em veículos de passeio, sem mudança na forma de utilização, geralmente não compromete a cobertura. Já envelopamento total ou plotagens que impeçam a identificação da cor original exigem comunicação à seguradora e atualização do registro no Detran para refletir a nova aparência do veículo.

Mudança da finalidade de uso

Quando o automóvel deixa de ser usado apenas para fins particulares e passa a desempenhar atividades de campanha — transporte de materiais, deslocamento de equipes, instalação de equipamentos de som — pode ser necessária a adequação da apólice. A falta dessa comunicação pode acarretar dificuldade na indenização em caso de sinistro.

Riscos em eventos e exclusões contratadas

Apólices de seguro auto costumam prever exclusões para danos decorrentes de tumultos, motins, atos de vandalismo e perturbação da ordem pública. Danos ocorridos em manifestações ou eventos eleitorais precisam ser avaliados conforme as condições contratuais específicas de cada seguradora.

Recomendações práticas

  • Consulte o corretor de seguros antes de adesivar ou alterar o uso do veículo.
  • Informe a seguradora em casos de envelopamento total ou mudança de finalidade.
  • Verifique se a apólice cobre danos a plotagens e adesivos, pois normalmente são excluídos.
  • Confirme as condições relacionadas a tumultos e eventos públicos na sua apólice.

“Qualquer alteração relevante, seja na adesivação ou na utilização do veículo durante o período eleitoral, deve ser informada previamente ao corretor de seguros”, conclui Leandro Vasco, destacando que o corretor é o profissional habilitado para orientar sobre ajustes ou coberturas adicionais.

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André Vita

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