A Usina de Arte completa dez anos de trajetória celebrando a transformação de um território por meio da arte, da educação, da natureza e das pessoas. Para marcar a data, o espaço inaugura, em 13 de outubro, o Museu da Memória, instalação permanente do artista Júlio Villani, resultado de uma residência artística realizada na antiga Usina Santa Terezinha.
O Museu da Memória
A obra ocupa o antigo armazém de açúcar da Usina, um espaço com mais de 600 m². Nascida do encontro do artista com estruturas, máquinas, ferramentas, objetos, arquivos e vestígios da história industrial local, a instalação investiga as memórias que esses elementos carregam e as pessoas presentes em cada um deles.
Residência artística e processo de escuta
Durante a residência, Júlio Villani percorreu as antigas instalações, pesquisou arquivos e conversou com moradores e agentes envolvidos com o lugar. Esse processo de escuta e convivência é parte essencial da obra, que transforma achados em testemunhos de uma comunidade atravessada pelo tempo.
A obra e as peças
A instalação reúne mais de 50 peças antigas da Usina, reinterpretadas pelo artista. Também incorporam-se frases encontradas nas estruturas do armazém e inscrições em objetos preservados. Essas palavras, assim como máquinas e ferramentas, revelam a dimensão humana do espaço e dialogam com oficinas recentes promovidas pela Usina de Arte.
Depoimento da direção
Bruna Pessôa de Queiroz, presidente da Usina de Arte, destaca que a força da obra está no olhar para as pessoas que construíram e vivenciaram o lugar. Segundo Bruna, o Museu da Memória honra essas histórias e permanece aberto ao futuro, reafirmando o caráter vivo do processo de transformação.
Trajetória do artista
Nascido em 1956 e radicado na França, Júlio Villani tem trajetória marcada por trabalhos em pintura, colagem e assemblage. Sua produção aproxima objetos e referências cotidianas para criar novos sentidos, com ênfase em memória, deslocamento, identidade e transformação. A residência na Usina Santa Terezinha originou a obra permanente que agora integra o acervo.
Uma década de transformação
Ao longo de dez anos, a antiga Usina Santa Terezinha tornou-se um projeto que articula arte contemporânea, educação, natureza e desenvolvimento local. O acervo inclui obras de nomes como:
- Marina Abramović
- Artur Lescher
- Carlos Garaicoa
- José Rufino
- Alfredo Jaar
- Regina Silveira
- Flávio Cerqueira
Além das obras, a Usina desenvolveu iniciativas de formação como a Escola de Música, o FabLab Mata Sul, a Biblioteca e o Centro de Conhecimento, promovendo educação e oportunidades para jovens da região.
Impacto local e conservação ambiental
Localizada em Água Preta, na Mata Sul de Pernambuco, a Usina atua em diálogo com uma comunidade de cerca de 6 mil habitantes. O Parque Artístico Botânico, com 44 hectares, combina arte contemporânea, paisagismo, preservação e convivência, estimulando economia local e atividades ligadas ao turismo e artesanato.
ART.PE e lançamento do livro
A inauguração do Museu da Memória integra a programação de outubro e recebe participantes da ART.PE – Feira de Arte Contemporânea de Pernambuco, aproximando o circuito do Recife à experiência da Usina. Em 15 de outubro haverá o lançamento do livro Usina de Arte – A construção de uma utopia, de Bruno Albertim, publicado em parceria com a CEPE. O lançamento contará com presença de dirigentes e do autor durante a ART.PE no Recife Expo Center.
Sobre a Usina de Arte
Instalada no território da antiga Usina Santa Terezinha, a Usina de Arte é um projeto cultural, educativo e socioambiental que integra arte contemporânea e regeneração da paisagem. Administrada pela Associação Socioambiental e Cultural Jacuípe, a iniciativa conecta artistas, pesquisadores, estudantes, moradores e visitantes, oferecendo um espaço em constante construção.
Visitação
O Parque Artístico Botânico da Usina de Arte está aberto diariamente, das 5h30 às 18h, com acesso gratuito. A Usina fica em Água Preta, Mata Sul de Pernambuco, a cerca de 130 km do Recife.