Avanços na anestesia reduzem riscos e desmistificam receios dos pacientes

por: André Vita

A anestesia é um componente essencial da medicina e garante a segurança dos pacientes em cirurgias, exames e tratamentos de diferentes complexidades. Somente no ano passado o Sistema Único de Saúde realizou 14,7 milhões de cirurgias eletivas, conforme dados do Ministério da Saúde, o que mostra a dimensão dos procedimentos que dependem da atuação anestésica. Apesar dos avanços, a falta de informação e mitos ainda geram dúvidas e medo em muitas pessoas.

Riscos e mitos

“O receio de acordar no meio de uma cirurgia está relacionado a um evento raro, que ocorre em aproximadamente um a dois casos a cada mil anestesias gerais. Além disso, quando acontece, o episódio não costuma envolver dor. Com os avanços na administração de medicamentos anestésicos, ao monitoramento contínuo dos sinais vitais e, quando indicado, do nível de atividade cerebral, esse risco se torna bastante remoto. Já em relação à queda de cabelo, ela está mais comumente associada ao puerpério ou a traumas cirúrgicos, e não ao ato anestésico em si.”

Monitoramento e segurança

O monitoramento contínuo do paciente, aliado a protocolos de segurança e à individualização das doses anestésicas, contribui para um despertar mais previsível, retorno mais rápido das funções cognitivas e maior estabilidade durante a recuperação. Equipamentos, checklists e equipes treinadas reduzem complicações e aumentam a confiança do paciente.

Tipos de anestesia

  • Anestesia geral induz perda controlada da consciência e é indicada em procedimentos de maior complexidade que exigem imobilidade e controle das funções vitais.
  • Anestesia regional bloqueia a sensibilidade de uma área maior do corpo, como braço, perna ou parte inferior do tronco. Exemplos incluem bloqueios de nervos periféricos, raquianestesia e anestesia peridural.
  • Anestesia local aplica anestésicos diretamente na área do procedimento, indicada em intervenções de pequeno porte como suturas, remoção de pequenas lesões e alguns procedimentos odontológicos e oftalmológicos.
  • Sedação é utilizada em exames como endoscopias e colonoscopias e pode ser associada a anestesia local ou regional para maior conforto do paciente.

Avaliação pré-anestésica

A avaliação pré-anestésica é uma etapa central do cuidado perioperatório. Nela o anestesiologista avalia histórico clínico, doenças pré-existentes, medicamentos em uso, alergias e possíveis reações adversas. Também analisa a via aérea para prever dificuldades de ventilação ou intubação e solicita exames quando necessário.

Durante a consulta o médico identifica fatores de risco, corrige problemas tratáveis e planeja a técnica mais adequada para o intra e pós-operatório, além de esclarecer dúvidas e reduzir a ansiedade do paciente. O Conselho Federal de Medicina determina que, exceto em urgências e emergências, o médico anestesista conheça previamente as condições clínicas do paciente, recomendando a consulta pré-anestésica para procedimentos eletivos conforme o CFM (CFM nº 1.802/2006).

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André Vita

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