Lua-de-mel atrapalhada é tema de ópera com montagem inédita em português no Teatro de Santa Isabel

por: André Vita

Il Campanello estreia em versão totalmente em português no Recife com temporada no Teatro de Santa Isabel entre 3 e 6 de setembro. A ópera cômica de Gaetano Donizetti chega com classificação indicativa livre e ingressos a preços populares, apresentando uma trama divertida sobre as peripécias de Enrico para atrapalhar a consumação do casamento.

Tradução e regência

A montagem traz tradução completa de músicas e recitativos assinada pelo maestro e professor da UFPE Sérgio Dias, que também assina a direção musical e a regência. A proposta busca manter o humor original incorporando expressões abrasileiradas e regionais, além de oferecer legendas para facilitar a compreensão do público.

Fusão de linguagens e referências

A proposta cênica mistura elementos da commedia dell’arte e do teatro mambembe com traços pernambucanos, como figurinos com inspiração carnavalesca e o tradicional bolo de noiva, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco. A montagem privilegia uma estética impressionista que sugere ambientes sem reproduzi-los literalmente.

Enredo e personagens

A história acompanha Don Aníbal, o farmacêutico anfitrião (interpretações de Anderson Rodrigues e Matheus Alvarenga), e a jovem noiva Serafina (interpretações de Anita Ramalho e Virginia Cavalcanti). O elenco conta ainda com a ardilosa Madame Rosa (Monica Muniz) e o servo Espiridião (Eudes Naziazeno), além do primo Enrico, vivido por Luiz Kleber Queiroz e Calebe Faria, que arma múltiplos disfarces para adiar a consumação do casamento.

Comédia, leis e artimanhas

Para manter o tom cômico, Enrico se vale de narrativas mirabolantes e de uma lei sobre o dever dos farmacêuticos para se fazer passar por diferentes personagens, tocando repetidas vezes a campainha da casa e gerando confusões que atrasam os planos do noivo, que precisa viajar para a leitura de um testamento.

Direção cênica e cenografia

O diretor cênico e de arte Marcondes Lima optou por um cenário sugestivo e impressionista, com portas e elementos que indicam entradas e saídas sem paredes fechadas, reforçando a atmosfera poética da peça e permitindo licenças estéticas como referências carnavalescas nos figurinos.

Elenco, coro e preparação

Ao todo, a montagem reúne cerca de 80 artistas em palco. Os ensaios, iniciados em maio, envolveram preparações separadas de orquestra, coro e solistas, que depois se uniram para compor o espetáculo. A cravista e professora da UFPE Maria Aída Barroso destaca que a versão em português cria cumplicidade com a plateia e mantém o humor original por meio de adaptações regionais.

“Muita gente acha que ópera é algo da elite. Algumas obras clássicas, de fato, por serem em outras línguas, dificultam a compreensão. A falta de investimentos também interfere, pois diminui a quantidade de produções e provoca um distanciamento do público. Mas nosso espetáculo é acessível, engraçado e com uma temática do cotidiano que dialoga com todas as idades”, argumenta o diretor artístico, Matheus Soares, que assina a produção geral ao lado de Yasmin Menezes.

Serviço

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André Vita

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